Presidente da CVM rebate críticas e aponta “alinhamento perverso” no caso Banco Master
Presidente da CVM rebate críticas e aponta “alinhamento perverso” no caso Banco Master
João Edisio Accioly defende a atuação da autarquia e sugere que o problema reside na atuação de gestores e investidores, e não na falta de regulação.
O presidente interino da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), João Edisio Accioly, reagiu às críticas que apontam falhas na atuação do órgão regulador em casos como o do Banco Master. Em entrevista, Accioly classificou a situação como um “alinhamento perverso” entre gestores e investidores, que teria permitido a manutenção de uma “ficção contábil”.
“Um ‘me engana que eu gosto'”. Assim definiu Accioly o cenário, explicando que o “engano” beneficiava o banco, que apresentava um balanço mais robusto, possibilitando a emissão contínua de Certificados de Depósito Bancário (CDBs). Segundo o presidente da CVM, se as irregularidades forem confirmadas, o Banco Master não seria uma vítima, mas sim um “promotor ativo” dos superdimensionamentos dos ativos dos fundos em que investiu.
Responsabilização e Transparência no Mercado Financeiro
Accioly reforçou que, em caso de fraudes comprovadas, a responsabilidade deve recair sobre os gestores. “Se você violou seus deveres como gestor de um fundo, como gestor da instituição financeira, o Brasil tem um sistema interessante de responsabilização”, afirmou, ressaltando que o patrimônio dos envolvidos estaria disponível para cobrir os prejuízos.
O presidente da CVM também defendeu uma maior transparência em relação aos cotistas de fundos, comparando com a abertura de sócios em empresas. “Por que o fundo não tem os cotistas abertos? É algo que deve, no mínimo, ser debatido”, questionou.
Indicações “Não Republicanas” e Ausência de Pressão
Para Accioly, o ecossistema criado pelo Banco Master perdurou devido a “indicações de âmbito não republicano, entre agentes privados e agentes públicos”. Ele reconheceu a possibilidade de envolvimento de agentes políticos nas investigações, mas garantiu não ter sofrido qualquer pressão desde que assumiu interinamente o comando da CVM. “Nunca me senti ameaçado. Nesse ponto, muito tranquilo”, declarou.
As críticas ao papel da CVM surgiram após declarações de líderes políticos, como o senador Eduardo Braga (MDB-AM), que questionou a inação do órgão em casos como o do Banco Master, comparando com as Americanas e o Banco Pleno. No entanto, Accioly ponderou que algumas regras, como as de emissão de CDBs, são de responsabilidade do Banco Central do Brasil.
Fonte: www.seudinheiro.com
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