Crise na Oncoclínicas (ONCO3): Rebaixamento de CRIs pela Fitch acende alerta sobre liquidez e endividamento da empresa

Risco espelhado nos Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs)

A saúde financeira da Oncoclínicas (ONCO3) começa a impactar diretamente o mercado de crédito, com a agência de rating Fitch rebaixando Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) que possuem exposição à empresa. A estrutura desses CRIs é espelhada em debêntures emitidas pela própria Oncoclínicas, que já ostenta um rating nacional de longo prazo de CCC-(bra). Isso significa que a empresa de tratamentos oncológicos é a devedora principal dos títulos que lastreiam os CRIs. Qualquer evento que afete as debêntures, como atrasos ou inadimplência, se reflete diretamente nos certificados, sem um colchão estrutural que os proteja.

Liquidez sob pressão e alavancagem elevada

Segundo a Fitch, o rebaixamento dos CRIs reflete o aumento das preocupações com a liquidez da Oncoclínicas. A agência destaca a combinação de um caixa reduzido e uma alta concentração de vencimentos de dívida no curto prazo como fatores críticos para essa decisão. Fluxos de caixa das operações negativos e uma alavancagem elevada restringem a flexibilidade financeira da companhia, aumentando a probabilidade de busca por financiamentos com termos menos favoráveis aos credores.

Perspectivas financeiras e desafios operacionais

A Fitch projeta que a Oncoclínicas encerrará 2025 com um saldo de caixa inferior a R$ 100 milhões, excluindo aplicações específicas, e com alavancagem líquida próxima a 6 vezes. Embora uma capitalização realizada em novembro de 2025 tenha aliviado temporariamente a pressão, os riscos de refinanciamento persistem devido à concentração de vencimentos de dívida no curto prazo e à geração de caixa ainda pressionada. Para o curto prazo, a agência não vislumbra melhora significativa no perfil financeiro por meio do desempenho operacional, antecipando uma recuperação gradual ao longo dos próximos anos e destacando o desafio de recuperar rentabilidade e geração de caixa.

Disputa judicial com o BRB

Em um desenvolvimento paralelo, a Oncoclínicas obteve uma liminar na Justiça contra o Banco de Brasília (BRB). A decisão impede, ao menos temporariamente, que o BRB altere a gestão ou governança dos Fundos de Investimento em Participações (FIPs) que detêm ações da empresa. A tutela antecipada também barra o banco de dispor das cotas ou ativos desses FIPs, mantendo as ações da Oncoclínicas “congeladas” nessas estruturas. O BRB tornou-se detentor de uma participação de 8,68% na Oncoclínicas após a incorporação de carteiras do Banco Master.

Fonte: www.seudinheiro.com

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