Selic alta penaliza lucro do Magazine Luiza em 55% no 4T25, mas lojas físicas e ecossistema mostram resiliência

Lucro líquido do Magalu despenca, mas Ebitda e receita líquida superam expectativas

O Magazine Luiza (MGLU3) registrou um lucro líquido de R$ 159 milhões no quarto trimestre de 2025, uma queda expressiva de 55% em comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado foi fortemente impactado pelas elevadas despesas financeiras, que consumiram 5,1% da receita líquida, reflexo da taxa Selic mantida em patamares altos. Apesar do recuo no lucro, o diretor de Relações Institucionais da varejista, Lucas Ozório, destacou a resiliência do grupo e a capacidade de diversificar suas fontes de receita.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia apresentou um desempenho mais positivo, alcançando R$ 947,8 milhões, um aumento de 8% em relação ao 4T24, com margem de 8,5%. Esse resultado superou as projeções de mercado, que esperavam R$ 855 milhões. No acumulado do ano, o Ebitda saltou 10,6%, atingindo R$ 3,2 bilhões. A receita líquida também mostrou um leve avanço, somando R$ 11,1 bilhões no trimestre, um crescimento de 3,4%.

Lojas físicas contrapõem queda no e-commerce e marketplace

Enquanto o e-commerce registrou uma retração de 5,3% nas vendas no trimestre, impulsionado pela queda de 11,7% no marketplace (3P), as lojas físicas do Magazine Luiza demonstraram força, com um crescimento de 8,7% em vendas, totalizando R$ 6 bilhões. Esse desempenho robusto do canal físico foi crucial para sustentar as vendas gerais da companhia, que no trimestre somaram R$ 18,2 bilhões, uma leve queda de 1,1%.

O CEO do Magalu, Fred Trajano, já havia sinalizado a estratégia de reduzir o ritmo no marketplace, categoria que concentra a maior disputa entre gigantes internacionais como Amazon e Shopee, e que pressiona a lucratividade no curto prazo. A força das lojas físicas, em um mercado offline que vem encolhendo, é vista como um diferencial competitivo e um indicativo da solidez da operação.

Ecossistema Magalu: LuizaCred impulsiona resultados e novos negócios avançam

O LuizaCred, braço de cartões de crédito do Magalu, apresentou um lucro 87% maior no 4T25, atingindo R$ 270,6 milhões. Esse resultado foi impulsionado pela expansão da carteira de crédito e pela melhora na qualidade dos empréstimos. Metade desse valor pertence ao Itaú, parceiro estratégico do Magalu no negócio.

A companhia também segue avançando em seu ecossistema, com a MagaluPay SCFI ganhando espaço na originação de Crédito Direto ao Consumidor (CDC). A Magalog, operação logística, registrou crescimento de 47% na receita em 2025, e a Magalu Cloud expandiu sua base de clientes externos. Esses movimentos reforçam a estratégia do Magalu de construir um negócio mais resiliente e diversificado, menos suscetível às oscilações da taxa básica de juros.

Novo ciclo estratégico focado em IA e valorização de ativos

O Magazine Luiza anunciou o início de um novo ciclo estratégico, com foco em destravar valor de seus ativos por meio da inteligência artificial no varejo. A empresa busca inovar e otimizar suas operações, desde a gestão de estoque até a experiência do cliente, utilizando as novas tecnologias para impulsionar a eficiência e a competitividade.

O diretor Lucas Ozório ressaltou que, mesmo em um cenário macroeconômico desafiador, o Magalu conseguiu não apenas sobreviver, mas também se fortalecer e expandir. A diversificação de receitas e a consolidação do ecossistema são vistas como pilares fundamentais para o crescimento futuro, mesmo diante de um ambiente de juros elevados.

Fonte: www.seudinheiro.com

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