GPA Troca Garantias e Reduz Passivo Tributário
O Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) deu um passo significativo em sua reestruturação financeira ao aprovar um pacote de medidas voltadas para o alívio de caixa, corte de custos e ampliação do acesso a crédito. Uma das principais iniciativas é o Acordo Paulista, que permitiu a substituição de cartas fiança e seguros-garantia no valor aproximado de R$ 4,76 bilhões por garantias reais, utilizando imóveis próprios avaliados em cerca de R$ 619,7 milhões em favor do governo de São Paulo. Este acordo, firmado em 2024, já havia resultado em uma redução expressiva do passivo tributário da companhia.
Conforme comunicado ao mercado, o GPA conseguiu diminuir em R$ 3,64 bilhões as contingências tributárias, negociando o pagamento de R$ 794 milhões, já com descontos, em 120 parcelas corrigidas pela Selic. A mudança na estrutura de garantias aprofunda esses ajustes, substituindo instrumentos financeiros mais onerosos por ativos da própria empresa, o que tende a reduzir despesas recorrentes e liberar espaço no balanço para novas operações.
Novas Fontes de Liquidez: Recebíveis e Ações
Para reforçar seu caixa, o conselho do GPA também aprovou a utilização de recebíveis de cartão de débito como garantia em operações financeiras que podem somar até R$ 200 milhões. Essa estratégia funciona como uma antecipação de receitas, levantando capital no curto prazo. As operações devem permanecer ativas até a homologação do plano de recuperação extrajudicial ou a liberação de novos limites com instituições financeiras parceiras.
No âmbito da remuneração de executivos, a companhia realizou um aumento de capital simbólico de pouco mais de R$ 10 mil, com a emissão de aproximadamente 1 milhão de ações a R$ 0,01 cada, provenientes do exercício de opções. Isso eleva o capital social para cerca de R$ 2,51 bilhões, distribuído em quase 492 milhões de ações. Adicionalmente, o GPA transferirá cerca de 130 mil ações de tesouraria para cumprir obrigações do programa de performance shares, sem impacto direto no capital social.
Alta na Bolsa e Disputa com o Casino
A aprovação das medidas de reestruturação coincidiu com um dia de forte valorização das ações do GPA na bolsa de valores. Os papéis (PCAR3) dispararam 13,24%, fechando o pregão a R$ 2,48, entre as maiores altas do Ibovespa. Essa movimentação ocorre em paralelo à atualização sobre a arbitragem contra o Casino Guichard-Perrachon, acionista francês do GPA.
O Tribunal Arbitral negou um pedido do GPA para bloquear ações detidas pelo Casino, no âmbito de uma medida cautelar. A disputa, que envolve divergências sobre recolhimentos de impostos entre 2007 e 2013, foi levada à Câmara de Comércio Internacional em maio de 2025. Analistas de mercado interpretam que a decisão arbitral, ao liberar o Casino para vender sua participação no GPA, pode acelerar uma definição societária esperada, reduzindo a incerteza jurídica sobre o momento dessa saída, o que teria sido bem recebido pelos investidores.
Fonte: www.seudinheiro.com
- Bitcoin em Encruzilhada: US$ 3,8 Bilhões em Entradas Institucionais Sinalizam Rumo a US$ 150 Mil ou Reversão de Ciclo? - abril 26, 2026
- Naturgy Revoluciona Atendimento ao Cliente: Profissionais 40+ Elevam Empatia e Eficiência em Call Centers - abril 26, 2026
- Conta de Luz Terá Aumento em Maio: Bandeira Amarela Volta a Cobrar Taxa Adicional Após Meses de Bandeira Verde - abril 26, 2026
