Porto Seguro e Fleury Desistem de Nova Empresa com Oncoclínicas; O Que Acontece Agora?

Fim das Negociações e Busca por Salvação

O plano que prometia ser uma saída para a Oncoclínicas (ONCO3) em meio a turbulências financeiras sofreu um revés significativo. A rede de saúde oncológica anunciou o fim das negociações para a criação de uma nova companhia com a Fleury (FLRY3), empresa de medicina diagnóstica, e a Porto Seguro (PSSA3), gigante do setor de seguros. Em comunicados ao mercado, ambos os grupos confirmaram a desistência do acordo não vinculante, que previa a entrada como investidores na formação de uma nova empresa (NewCo).

A desistência da Fleury foi comunicada na noite de ontem (13), seguida hoje (14) pela Porto Seguro. Com isso, a Oncoclínicas fica liberada da exclusividade prevista no acordo inicial de março, abrindo caminho para que outras propostas sejam consideradas.

Oncoclínicas Abala o Mercado e Busca Proteção Judicial

Em um movimento simultâneo à desistência dos parceiros, a Oncoclínicas decidiu buscar amparo na Justiça. A empresa ajuizará uma ação de tutela cautelar no Tribunal de Justiça de São Paulo com o objetivo de obter uma suspensão temporária de suas obrigações financeiras e evitar a antecipação de dívidas. Essa medida indica a gravidade da situação financeira enfrentada pela companhia.

O Acordo que Não Aconteceu e o Futuro Incerto

O acordo inicial previa que a Oncoclínicas aportaria seus ativos e operações oncológicas, além de endividamentos e passivos, limitados a R$ 2,5 bilhões. Em contrapartida, Fleury e Porto Seguro investiriam conjuntamente R$ 500 milhões por meio de uma holding, que deteria o controle da nova empresa. Para o Fleury, a operação representaria uma expansão estratégica em um segmento de alto potencial de crescimento dentro da cadeia de saúde.

Novas Propostas em Jogo e Pressão Financeira Crescente

Com o fim das negociações com Fleury e Porto Seguro, a Oncoclínicas volta seus olhos para outras ofertas. A Mak Capital, acionista com 6,31% das ações, já manifestou interesse em realizar um aporte de aproximadamente R$ 500 milhões. Empréstimos menores, na faixa de R$ 100 a R$ 150 milhões, também estariam em discussão para a aquisição de medicamentos. Uma proposta anterior da Starboard Partners, que envolvia a conversão de R$ 1,7 bilhão em dívida para equity e um aumento de capital de mais de R$ 800 milhões, foi rejeitada pela Latache, a segunda maior acionista.

Crise Financeira Profunda e Raízes do Problema

A Oncoclínicas tem enfrentado uma crise financeira severa, evidenciada pelo dobro do prejuízo líquido no quarto trimestre de 2025, atingindo R$ 1,51 bilhão, ante R$ 759 milhões no mesmo período de 2024. A auditoria das demonstrações financeiras alertou para um capital circulante líquido negativo de R$ 2,3 milhões, o que levanta dúvidas sobre a continuidade operacional da empresa. O IPO em 2021, com planos ambiciosos, viu seu valor de mercado derreter. Crescimento arrojado, investimentos arriscados e parcerias com margens apertadas, como a com a Unimed-Rio, além de problemas com a Unimed FERJ e o Banco Master, contribuíram para a deterioração financeira. A empresa chegou a convocar assembleias de debenturistas para discutir dispensa temporária de índices de alavancagem, demonstrando a dificuldade em cumprir suas obrigações financeiras.

Fonte: www.seudinheiro.com

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