Novo membro do conselho da Petrobras defende reajuste de combustíveis alinhado ao mercado internacional

Gasparino sinaliza apoio à política de preços de mercado

O advogado Marcelo Gasparino, que acaba de ser eleito para o Conselho de Administração da Petrobras (PETR4), chega com uma visão que pode influenciar as decisões da estatal. Ele tende a reforçar o grupo que defende o reajuste dos combustíveis em linha com as oscilações do mercado internacional. Em suas redes sociais, Gasparino comentou uma entrevista e indicou que a escolha de Guilherme Mello para a presidência do conselho pode facilitar a discussão sobre o tema. Para ele, a Petrobras deve manter a prática de preços de mercado, mesmo em um contexto politicamente delicado.

Histórico e o desafio da rentabilidade

Gasparino relembrou que, desde 2022, período marcado pela alta do petróleo devido à guerra entre Rússia e Ucrânia, o conselho já havia estabelecido a necessidade de a companhia equilibrar rentabilidade e sustentabilidade. Em outras palavras, isso significa evitar a retenção artificial de preços. “Esse é o grande teste que o novo presidente do Conselho vai ter que saber administrar”, afirmou Gasparino, destacando o desafio para Guilherme Mello, que também é secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e foi eleito para comandar o colegiado.

Petrobras em meio a impasses e divisão interna

A política de preços da Petrobras continua no centro das discussões. Em 2022, a cotação do barril de petróleo chegou a quase US$ 140, e a pressão sobre os preços dos combustíveis levou à queda de dois presidentes da estatal em plena corrida eleitoral. Mais recentemente, críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a um aumento do gás de cozinha também resultaram em mudanças na diretoria. Apesar da recente alta do petróleo, a Petrobras tem segurado os reajustes. O diesel, por exemplo, teve uma alta de 11,6% em março, mas ainda abaixo do mercado internacional, enquanto a gasolina segue sem alterações. A defasagem do diesel, que é mais dependente de importações, chegou a ultrapassar 80% e hoje está em torno de 50%.

Divisão no conselho e o papel fiscal

O clima dentro do conselho da Petrobras é de divisão. Enquanto acionistas minoritários defendem repasses mais rápidos, seguindo o modelo do mercado americano, indicados pelo governo buscam evitar que a volatilidade externa impacte diretamente os consumidores. A entrada de Gasparino reforça a ala favorável a uma maior aproximação com os preços internacionais, em um momento em que a Petrobras ainda ajusta sua política após abandonar a paridade de importação (PPI) em 2023. Para Gasparino, há também um fator fiscal importante: como uma das maiores pagadoras de dividendos ao governo, a Petrobras poderia ter um papel ainda mais relevante no financiamento de investimentos públicos.

Fonte: www.seudinheiro.com

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