Vale (VALE3) Rebaixada pelo Barclays: Ação Sobe 25% em 2024, Mas Desconto Histórico Sumiu e Potencial de Alta Diminui

Barclays Muda Recomendação da Vale para Neutra

A mineradora Vale (VALE3) tem apresentado um desempenho notável em 2024, com seus ADRs (American Depositary Receipts) acumulando uma valorização de 25% no ano, chegando a 35% em alguns casos. No entanto, essa forte alta levou o famoso desconto histórico da companhia em relação a concorrentes como Rio Tinto e Fortescue a diminuir significativamente. Diante desse cenário, o banco Barclays decidiu rebaixar a recomendação dos ADRs da Vale de ‘compra’ (overweight) para ‘neutra’ (equal weight).

O principal motivo para a mudança de recomendação é a redução do desconto da Vale no múltiplo valor da firma sobre o Ebitda (EV/Ebitda), que atingiu o menor nível desde 2020, situando-se em 10%. Essa diminuição ocorre em um momento em que o preço do minério de ferro permaneceu relativamente estável, enquanto as ações da mineradora dispararam.

Descasamento entre Ação e Preço do Minério de Ferro

Os analistas do Barclays apontam um descasamento entre o preço atual da ação da Vale e o valor do minério de ferro no mercado. Atualmente, o preço das ações da mineradora já precifica o minério de ferro a US$ 130 por tonelada, enquanto o preço à vista (spot) está em torno de US$ 107 por tonelada. Essa diferença se torna ainda mais relevante quando se considera as projeções do próprio Barclays para o minério de ferro, que prevê uma queda para US$ 102 em 2026 e US$ 85 em 2028.

A conclusão do banco é que, embora a operação da Vale ainda tenha solidez, o preço atual das ações já incorporou grande parte desse potencial de valorização. A elevação do preço-alvo dos ADRs de US$ 16,50 para US$ 17, embora reflita uma melhora operacional e a redução de riscos ESG, não oferece um potencial de ganho imediato significativo, uma vez que a ação já negocia acima desse patamar.

Ventos Contrários e Oportunidades Futuras

Além do descasamento de preço, o Barclays identifica outros ventos contrários que podem impactar o balanço da Vale no curto prazo. O aumento do preço do petróleo Brent eleva os custos de frete e produção. Um real mais forte pressiona os custos operacionais em moeda local e aumenta o peso dos passivos relacionados a Samarco e Brumadinho. Adicionalmente, a sazonalidade tende a enfraquecer o preço do minério de ferro entre abril e julho, o que pode afetar o ímpeto da ação neste período.

Apesar das preocupações de curto prazo, o Barclays vislumbra gatilhos importantes para a Vale a partir de 2027. Estes se concentram em três pilares: a possibilidade de dividendos extras e recompras de ações caso a dívida líquida caia abaixo de US$ 15 bilhões; uma eventual listagem separada (IPO) da unidade de Metais Básicos (Vale Base Metals) que poderia destravar valor para os acionistas; e uma melhora no fluxo de caixa livre, impulsionada pela disciplina em investimentos (capex) e pela diminuição dos desembolsos da Samarco.

Fonte: www.seudinheiro.com

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