Dólar perde força em meio a tensões globais
O mercado financeiro iniciou a semana com o dólar em trajetória de queda, influenciado por fatores como a ausência de avanços nas negociações entre Estados Unidos e Irã e a contínua tensão no Estreito de Ormuz. A moeda americana cedeu terreno no cenário internacional e, no Brasil, fechou em R$ 4,9821, com uma desvalorização de 0,32% na segunda-feira (27). Em seu ponto mais baixo, o dólar chegou a ser negociado a R$ 4,9642.
Inter recalibra projeções para 2026
Diante desse cenário de dólar mais fraco, o Banco Inter ajustou suas projeções para a moeda em 2026, reduzindo a expectativa de R$ 5,40 para R$ 5,10. Segundo os economistas do banco, a mudança reflete o enfraquecimento global do dólar e a melhora nos termos de troca da balança comercial brasileira, impulsionada também pela alta do petróleo, que beneficia países exportadores como o Brasil.
Inflação em foco: Choque de oferta e pressão sobre juros
Enquanto a desvalorização do dólar pode ser um alívio em alguns aspectos, o cenário de petróleo em alta intensifica a pressão inflacionária. O Inter elevou sua projeção para o IPCA em 2026, de 4,3% para 4,9%. O banco aponta que o conflito gerou um choque de oferta relevante, com o preço do petróleo subindo mais de 50%. A inflação de março já surpreendeu positivamente, e as expectativas para abril apontam para uma leitura ainda mais forte. Embora um recuo no preço do petróleo possa aliviar os preços no segundo semestre, a incerteza externa persiste, impactando as projeções de inflação para 2027 e limitando o espaço para cortes adicionais na taxa Selic no curto prazo.
Juros: Banco Central mantém cautela enquanto Fed pausa
A semana é marcada por decisões importantes de política monetária. No Brasil, a expectativa é de mais um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, levando-a a 14,50% na quarta-feira (29). Apesar da pressão inflacionária, o Banco Central deve manter o ritmo gradual de afrouxamento monetário, com a projeção de a taxa básica encerrar 2026 em 12,75%. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed) deve manter os juros na faixa de 3,50% a 3,75%, com expectativas de um ou dois cortes ao longo do segundo semestre.
PIB, balança comercial e os riscos fiscais
O Banco Inter manteve a projeção de crescimento do PIB brasileiro em 1,8%, impulsionado no primeiro trimestre pelo agronegócio e pela indústria extrativa. Contudo, a tendência é de desaceleração do consumo das famílias ao longo do ano. Em contrapartida, a balança comercial deve apresentar um superávit robusto em 2026, acima de US$ 80 bilhões. No entanto, o risco fiscal permanece como ponto de atenção, com incertezas sobre a ampliação de estímulos ao consumo em ano eleitoral e projeções preocupantes para o déficit primário e nominal, elevando o custo da dívida pública.
Economia americana resiliente, mas sob ameaça inflacionária
Nos Estados Unidos, a economia demonstra resiliência com a geração consistente de empregos. No entanto, os efeitos do conflito no Oriente Médio já se refletem na inflação, especialmente nos preços de energia. O aumento dos combustíveis puxou o CPI em março, e sinais de pressão inflacionária mais disseminada e aceleração salarial começam a surgir. Com o petróleo em patamares elevados e o risco de desaceleração global, as projeções de crescimento do PIB americano para o primeiro trimestre já foram revisadas para baixo.
Fonte: www.seudinheiro.com
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