Ações da Hapvida em alta e aluguel recorde: o que está por trás?
As ações da Hapvida (HAPV3) têm apresentado um desempenho notável na bolsa de valores, com uma valorização de 30% em apenas um mês. Paralelamente, o aluguel desses papéis atingiu o maior nível em meses. Embora um aumento no aluguel de ações geralmente sugira apostas na queda de um ativo (short selling), no caso da Hapvida, o cenário é diferente. Especialistas apontam que o aluguel está sendo utilizado para maximizar o poder de voto em assembleias.
A estratégia dos controladores para a assembleia de 30 de abril
Relatórios do BTG Pactual indicam que a família Pinheiro, controladora da Hapvida, estaria ampliando o aluguel de ações para reforçar sua posição na assembleia geral que definirá o novo conselho de administração da empresa em 30 de abril. O ‘short interest ratio’ (SIR), que mede a relação entre ações alugadas e o volume negociado diariamente, saltou de 4,5 em fevereiro para 12 em abril, evidenciando um posicionamento estratégico antes do evento.
Maior taxa de aluguel da bolsa: um movimento incomum
Atualmente, cerca de 22,9% das ações em circulação da Hapvida estão alugadas, com uma taxa que chega a quase 80%. Este patamar é o mais elevado entre as ações listadas no Ibovespa, superando significativamente outros casos como o do Pão de Açúcar (PCAR3), que enfrenta um processo de recuperação extrajudicial. A taxa de aluguel da Hapvida é a mais cara dos últimos 12 meses, com o direito de voto sendo o principal atrativo para quem aluga os papéis.
A pressão da Squadra e a disputa pelo controle
A assembleia ocorre em um contexto de questionamentos por parte da gestora Squadra, que detém cerca de 5% da Hapvida. A gestora criticou o que chama de “uma das maiores destruições de valor da história do mercado de capitais brasileiro”, apontando decisões estratégicas, operacionais e de governança equivocadas desde o IPO da companhia em 2018. A Squadra solicitou mudanças na gestão e indicou nomes para o conselho, defendendo o uso do voto múltiplo para aumentar a influência dos acionistas, especialmente os minoritários. Em resposta, a Hapvida confirmou que o mecanismo de voto múltiplo pode ser utilizado.
Família Pinheiro aumenta participação e reforça controle
Enquanto a disputa pelo controle se intensifica, a família Pinheiro aumentou sua participação na Hapvida para 55,4% do capital social. Desse total, uma parcela significativa vem de instrumentos derivativos e do aluguel de ações, movimentos que o mercado interpreta como um sinal de comprometimento dos controladores com o futuro da empresa, impulsionando a recente alta das ações.
Fonte: www.seudinheiro.com
