Aço Chinês Fora do Jogo: Como Tarifas Criaram um ‘Apagão’ e Impulsionam Usiminas (USIM5) para Alta de 30%

Novo Cenário Competitivo Impulsiona Recuperação

A Usiminas (USIM5) volta a atrair o interesse dos investidores após um primeiro trimestre acima do esperado e a entrada em cena de um fator inesperado: a redução drástica da participação do aço chinês no mercado brasileiro. A imposição de tarifas antidumping em fevereiro pelo governo brasileiro forçou uma parcela significativa da oferta chinesa a sair de competição nas mesmas condições, alterando o equilíbrio do setor.

Para o UBS BB, o impacto é comparável à remoção de uma siderúrgica inteira do mercado, abrindo espaço para uma reprecificação das ações da Usiminas. Mesmo com a recente alta, o banco estima um potencial de valorização de mais de 30% nos próximos meses, elevando o preço-alvo para R$ 10 e reiterando a recomendação de compra. As ações já acumulam alta superior a 36% no ano.

O Impacto das Tarifas Antidumping

As tarifas antidumping sobre importações de aços laminados a frio e revestidos, aplicadas em fevereiro, redesenharam o mercado de aço plano no Brasil. Com o aço chinês menos competitivo, estima-se que entre 15% e 20% da oferta doméstica tenha sido impactada, gerando um déficit entre oferta e demanda. Analistas preveem que esse espaço será gradualmente preenchido por importações de outros países asiáticos e, principalmente, pelas siderúrgicas locais.

A expectativa é de um aumento de preços entre US$ 100 e US$ 200 por tonelada, beneficiando empresas como a Usiminas, que possuem capacidade instalada e forte posicionamento no mercado doméstico. O UBS BB projeta que o mercado ainda não precificou totalmente esse cenário, abrindo caminho para revisões positivas.

Resultados Sólidos e Perspectivas de Margem

Os resultados do primeiro trimestre de 2026, que superaram as expectativas, reforçaram a tese de recuperação da Usiminas. A empresa registrou lucro líquido de R$ 896 milhões (+166% a/a) e Ebitda ajustado de R$ 653 milhões (+56% t/t). A margem Ebitda atingiu 11%.

O principal gatilho para o banco, no entanto, está à frente. A Usiminas já implementou reajustes de preços em abril e planeja novas rodadas para maio e junho. Com isso, o UBS BB revisou suas projeções de Ebitda para 2026 e 2027, esperando margens Ebitda de 14% em 2027, ante projeções anteriores de 13%. A estratégia da companhia foca em “valor sobre volume” e ganhos de eficiência, com economias estruturais de US$ 15 por tonelada.

Cautela e Potencial de Valorização

Apesar do otimismo do UBS BB, o Morgan Stanley adota uma postura mais cautelosa. Embora tenha elevado suas projeções, o banco mantém uma recomendação neutra, citando riscos como a efetividade das medidas antidumping e a possibilidade de contorno por importadores. Além disso, as ações já negociam acima da média histórica de cinco anos, o que pode limitar o potencial de alta no curto prazo.

O UBS BB, por outro lado, vê um potencial de valorização ainda subestimado pelo mercado, considerando o ambiente regulatório robusto com o “escudo” antidumping. Riscos como a volatilidade das commodities e interrupções na produção são mencionados, mas o cenário atual é considerado forte o suficiente para sustentar a tese de investimento na Usiminas.

Fonte: www.seudinheiro.com

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