Ali Khamenei: Quem foi o Líder Supremo do Irã e Alvo de Ataques dos EUA e Israel

Ali Khamenei: Quem foi o Líder Supremo do Irã e Alvo de Ataques dos EUA e Israel

A morte do aiatolá iraniano, atribuída a EUA e Israel, reacende tensões no Oriente Médio e levanta questões sobre a sucessão e o futuro da política externa do país.

Ascensão de um Clérigo Anti-Ocidente

Nascido em 1939 em Mashhad, Ali Khamenei iniciou sua jornada religiosa e política na cidade sagrada de Qom na década de 1960. Foi nesse período que se aproximou do aiatolá Ruhollah Khomeini, figura central da oposição ao regime do xá Mohammad Reza Pahlavi. Khamenei dedicou-se a missões políticas e religiosas, aprofundou seus estudos teológicos e traduziu obras de intelectuais islâmicos influentes, como Sayyid Qutb, moldando desde cedo uma visão firmemente anti-Ocidente e anticolonial.

Da Revolução à Liderança Suprema

Após sua participação ativa nos protestos que culminaram na Revolução Iraniana de 1979, Khamenei se consolidou como um aliado próximo de Khomeini. Em 1980, assumiu a posição estratégica de imã da oração de sexta-feira em Teerã. Um atentado em 1981, que o deixou com sequelas permanentes no braço direito, não o deteve. Aos 42 anos, foi eleito presidente do Irã, tornando-se o primeiro clérigo a ocupar o cargo. Reeleito em 1985, serviu como presidente até 1989, ano em que a morte de Khomeini o alçou à posição de líder supremo, escolhido pela Assembleia dos Peritos. Uma alteração legal foi necessária para sua posse, já que ele não detinha o grau de marja exigido pela Constituição.

Consolidação do Poder e Repressão Interna

Desde que assumiu a liderança suprema, Khamenei orquestrou uma profunda consolidação de seu controle sobre o Irã. Ele estabeleceu estruturas de poder paralelas ao Estado, como a Guarda Revolucionária (IRGC), uma força militar de elite com atuação interna e externa, garantindo autonomia e influência direta sobre setores estratégicos. Sob sua gestão, o regime reprimiu movimentos sociais e protestos, censurou jornalistas e intelectuais, e manteve políticas rigorosas contra o que considerava desvios dos costumes islâmicos. As manifestações de 2022, desencadeadas pela morte de Mahsa Amini sob custódia da polícia moral, resultaram em centenas de mortes, segundo organizações de direitos humanos.

O Arquiteto do Eixo da Resistência

No cenário internacional, Khamenei foi a mente por trás do chamado Eixo da Resistência, uma rede de grupos que inclui o Hezbollah no Líbano, o Hamas na Faixa de Gaza e os houthis no Iêmen. Esses aliados atuam como proxies do Irã em conflitos regionais, desafiando Israel e expandindo a influência iraniana no Oriente Médio. Apesar dos recentes reveses enfrentados por alguns desses grupos, Khamenei manteve um apoio estratégico e financeiro contínuo, solidificando sua posição como um ator central na geopolítica da região.

Fonte: www.seudinheiro.com

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