Setor em Recuperação e com Potencial Subestimado
Mesmo com a taxa Selic em patamares elevados, os fundos imobiliários (FIIs) de shopping centers apresentaram uma recuperação notável no último ano, demonstrando resiliência e atraindo o interesse de investidores. Contudo, o cenário futuro para o segmento é motivo de debate. Felipe Gaiad, da HSI Investimentos, e Giuliano Ricci, do Pátria Investimentos, são otimistas quanto à continuidade do bom momento. Segundo Gaiad, o setor vive um período histórico, com fundos de shopping oferecendo dividend yield recorrentes próximos a 10%. Ele destaca que o valor patrimonial desses ativos ainda é subestimado pelo mercado, permanecendo descontado na bolsa.
“Estamos muito otimistas com FIIs de shopping centers há bastante tempo, porque o setor tem mais sofisticação por parte dos gestores, dos administradores, e apresenta uma sinergia maior entre os negócios”, afirmou Gaiad. A escassez de novos empreendimentos, que levam cerca de uma década para maturar, favorece a valorização dos shoppings consolidados, que tendem a focar em expansões. Gaiad projeta um período positivo de pelo menos cinco anos para o setor, desde que o contexto econômico permaneça favorável.
Reforma Tributária como Impulsionadora
Um dos fatores que contribuem para o otimismo dos gestores é a reforma tributária. Após um período de apreensão com a possibilidade do fim da isenção de imposto de renda sobre dividendos, a manutenção dessa ferramenta no texto final da reforma tende a fortalecer os FIIs de shopping. Giuliano Ricci explica que as novas regras respeitaram a estrutura atual dos fundos, preservando sua atratividade fiscal em comparação a outras formas de investimento ou à posse direta de imóveis. Essa manutenção incentiva a migração de imóveis físicos para a estrutura de fundos imobiliários.
Ricci também aponta que a reforma pode facilitar novas aquisições, ajudando a diminuir a diferença entre o valor que famílias proprietárias de imóveis excelentes exigem e o que os FIIs podem oferecer. Essa convergência de valores pode destravar novas oportunidades de investimento para os fundos.
Resiliência Histórica e Adaptação ao E-commerce
A performance positiva dos FIIs de shopping não é fruto do acaso. Felipe Gaiad relembrou os diversos choques econômicos enfrentados pelo setor desde 2014, incluindo a crise da COVID-19. Durante a pandemia, o crescimento do e-commerce gerou receios sobre o futuro dos shoppings. No entanto, a previsão de declínio não se concretizou. “Na verdade, o comércio eletrônico se mostrou complementar ao segmento, e não excludente”, afirmou Gaiad, citando a integração através de estratégias como o ‘pickup from store’ (compra online com retirada na loja) e ‘ship from store’ (envio do produto a partir da unidade física).
Giuliano Ricci complementa que a pandemia acelerou transformações nos empreendimentos, com maior foco na experiência e nos serviços. Shoppings têm adaptado seus espaços para atividades como beach tênis ou áreas infantis, visando aumentar o tempo de permanência dos consumidores. Essa estratégia, segundo Ricci, beneficia os lojistas ao atrair o público para o cotidiano do shopping, fortalecendo o ecossistema.
Fonte: www.seudinheiro.com
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