Brechó da Deborah Secco: Como o Peça Rara Virou um Gigante da Economia Circular e Fatura R$ 300 Milhões Anuais

A ascensão da economia circular e o nascimento do Peça Rara

O mercado de segunda mão, antes visto com desconfiança, hoje se consolida como uma tendência forte impulsionada pela economia circular e pela busca por sustentabilidade. No Brasil, o setor de brechós conta com mais de 118 mil empreendimentos, segundo o Sebrae. Entre eles, destaca-se o Peça Rara, fundado há 19 anos e que hoje opera com mais de 130 lojas em todo o país. A marca ganhou notoriedade nacionalmente como o “brechó da Deborah Secco”, devido à participação da atriz como sócia e garota-propaganda.

No entanto, a história por trás do Peça Rara é de Bruna Vasconi, psicóloga de formação, que iniciou o negócio em 2005 movida pela necessidade de complementar a renda familiar. Inspirada pela história de uma empreendedora que vendia roupas dos filhos, Bruna viu no brechó uma oportunidade de baixo investimento. Ela já havia comercializado outros produtos durante a faculdade, mas a ideia de vender roupas usadas, que já possuía em casa, pareceu promissora.

O início humilde e a estratégia de consignação

Com um empréstimo de R$ 7 mil da avó, Bruna Vasconi, então moradora de Brasília e mãe de duas crianças, abriu a primeira loja em sociedade com uma amiga. O espaço de 100 m² vendia itens dos filhos e de outras colegas. A parceria, contudo, durou apenas 40 dias. Após a divisão dos bens, que totalizaram R$ 25 mil para Bruna, ela buscou mais R$ 25 mil com o pai para expandir o negócio.

Com um capital de R$ 50 mil, Bruna alugou um espaço três vezes maior e inaugurou a primeira loja do Peça Rara em abril de 2007. O foco se ampliou para incluir vestuário feminino, além de artigos infantis. O modelo de consignação foi um dos pilares do sucesso. Bruna não achava justo pagar um valor fechado por um lote de roupas e, por não ter capital para comprar estoque, adotou a prática de receber as peças, vendê-las e, só então, repassar o valor às donas. Essa estratégia, que começou com conhecidas, permanece como principal modelo de negócio.

Expansão, franquias e a parceria com Deborah Secco

Apesar do modelo de consignação ter sido crucial, a cultura de consumo de brechós era incipiente na época, gerando um desafio inicial de atrair clientes. Bruna precisou não apenas abrir novas unidades em Brasília para dar vazão ao estoque, mas também educar o público sobre o valor das peças de segunda mão. Ela investiu em uma experiência de compra diferenciada, com lojas organizadas e convidativas, destacando não apenas o preço, mas também a exclusividade e a consciência ambiental.

Em 2019, com sete lojas próprias em Brasília, a empreendedora buscou consultoria e identificou a necessidade de franquear a marca para crescer. A decisão foi testada com a primeira franquia, também no Distrito Federal. No mesmo ano, o grupo SMZTO, liderado por José Carlos Semenzato, conhecido por seu papel no programa Shark Tank Brasil, demonstrou interesse no Peça Rara. Após um período de negociações, a sociedade foi oficializada em 2021, impulsionando a expansão das franquias.

Em 2022, a atriz Deborah Secco se tornou sócia, agregando visibilidade e alinhamento com os princípios da marca. Atualmente, o Peça Rara conta com mais de 130 lojas distribuídas em 22 estados brasileiros e no Distrito Federal, faturando cerca de R$ 300 milhões em 2025, um crescimento de 25% em relação ao ano anterior, e comercializando quatro milhões de itens.

Impacto social e planos futuros

O Instituto Eu Sou Peça Rara, criado em 2019, é um braço importante da operação. Ele dá destino a peças que não entram no acervo principal através de bazares beneficentes com preços simbólicos. Em 2024, o instituto vendeu mais de 300 mil peças, arrecadando R$ 2,8 milhões, que foram direcionados a ações sociais, como uma creche inaugurada em 2023 para 300 crianças. A marca estima que cada peça nova evitada em sua operação poupa 2,7 mil litros de água e 5,7 kg de CO₂.

O grande objetivo do Peça Rara é dobrar o número de lojas nos próximos três anos, alcançando 300 unidades. Após um período de consolidação da rede, a marca pretende retomar o ritmo de expansão. Embora tenham testado o modelo online, a natureza de peças únicas inviabiliza, por ora, uma forte aposta no e-commerce, mantendo o foco nas lojas físicas. Os modelos de franquia variam de R$ 320 mil a R$ 630 mil, com potencial de faturamento mensal a partir de R$ 100 mil e retorno do investimento em até 30 meses.

Fonte: www.seudinheiro.com

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