Braskem (BRKM5) atribui resultados fracos a spreads petroquímicos; BTG e BB apontam endividamento como maior vilão

Resultados Decepcionantes e Contradições na Análise

A Braskem (BRKM5) divulgou mais um trimestre de resultados aquém das expectativas, impactando negativamente o desempenho de suas ações na bolsa de valores. Apesar de uma leve melhora operacional, a empresa registrou um prejuízo líquido de R$ 10,284 bilhões no quarto trimestre de 2025, um aumento expressivo de 82% em relação ao mesmo período do ano anterior. A companhia atribui parte dessa performance desafiadora ao contínuo ciclo de baixa na indústria petroquímica, que pressiona os preços e, consequentemente, os spreads (diferença entre o preço de venda e o custo da matéria-prima).

Endividamento em Ascensão e Queima de Caixa Preocupante

O cenário financeiro da Braskem é agravado pelo crescimento contínuo de suas dívidas. A alavancagem da empresa aumentou 99% em comparação com o ano anterior, e o consumo de caixa dobrou, atingindo R$ 1,1 bilhão no trimestre (já considerando os desembolsos relacionados ao desastre ambiental em Alagoas) e acumulando R$ 7,3 bilhões em 2025. Analistas do BB Investimentos destacam a alavancagem elevada, o consumo de caixa recorrente e a fraqueza estrutural dos spreads petroquímicos globais como fatores limitantes para a recuperação da companhia no curto prazo.

Divergência de Visão: Spreads vs. Estrutura de Capital

Enquanto a Braskem foca a explicação de seus resultados na conjuntura do mercado petroquímico, bancos de investimento como BTG Pactual e BB Investimentos apontam o endividamento como o principal ponto de atenção. O BTG Pactual sugere que o foco do investidor deve permanecer na reestruturação em andamento e em potenciais desdobramentos para os acionistas minoritários, mencionando a possibilidade de conversão de dívidas em equity e injeção de capital, o que poderia levar a uma diluição. A alavancagem corporativa da Braskem encerrou o trimestre em 14,74 vezes, um patamar que, segundo o BB Investimentos, exige uma otimização urgente da estrutura de capital.

O Impacto da Guerra no Oriente Médio e a Matéria-Prima da Braskem

A instabilidade geopolítica no Oriente Médio, com o conflito e o bloqueio do Estreito de Ormuz, tem gerado volatilidade nos preços de commodities, incluindo a nafta, principal matéria-prima da indústria petroquímica. Embora algumas petroquímicas asiáticas, dependentes de suprimentos vindos da região, enfrentem escassez e aumento de custos, a Braskem, que obtém sua nafta principalmente dos Estados Unidos e da Argélia, não sofre com riscos de origem. No entanto, a empresa reconhece que o aumento global do preço da nafta impacta seus custos e, consequentemente, os preços de seus produtos no Brasil, abrindo potenciais oportunidades de captura de receitas maiores, especialmente na América do Norte. A duração do conflito, contudo, permanece um fator de incerteza.

Desastre Ambiental e Provisões Financeiras

Em relação ao desastre ambiental causado pela mineração de sal-gema em Alagoas, a Braskem informou ter cumprido uma parte significativa dos projetos de compensação, incluindo a realocação de 99,9% dos moradores afetados. A empresa possuía uma provisão de R$ 18 bilhões para os gastos relacionados ao evento, dos quais R$ 13,9 bilhões já foram desembolsados. Ainda restam R$ 3,5 bilhões provisionados, além de R$ 1,4 bilhão classificado como outros gastos. Apesar dos avanços nas compensações, a auditoria da KPMG registrou uma “incerteza relevante relacionada com a continuidade operacional da companhia” no balanço, refletindo a delicada situação financeira da empresa.

Fonte: www.seudinheiro.com

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