Choque no Petróleo e Revisão de Cenário
A escalada das tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã, sem um fim à vista, levou o Santander a recalibrar suas projeções econômicas, especialmente no que diz respeito ao preço do petróleo. O banco agora espera que o barril da commodity permaneça acima dos US$ 100 por um período mais prolongado. Na última sexta-feira (27), o Brent, referência internacional e importante para a Petrobras (PETR4), já negociava na casa dos US$ 107.
Impactos no Brasil: Inflação e Juros em Alta
Embora a alta do petróleo possa, em tese, beneficiar as receitas do governo e ajudar a estabilizar o real, o Santander avalia que esses efeitos não são suficientes para equilibrar as contas públicas, gerando potenciais pressões sobre o câmbio. Os economistas do banco alertam que o choque de oferta provocado pela instabilidade geopolítica reduz o espaço para cortes na taxa Selic. Como consequência, o Santander elevou sua projeção para a Selic em 2026 de 12,25% para 12,50% e para 2027 de 11,50% para 12%.
Inflação Acima da Meta: Combustíveis e Custos em Evidência
A projeção de inflação para o Brasil também foi revista para cima pelo Santander. Para este ano, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) deve fechar em 4,5%, um aumento em relação à estimativa anterior de 3,9%, e ainda acima da meta de 3% do Banco Central. O efeito mais imediato se sente nos preços dos combustíveis, como gasolina, diesel e querosene de aviação. Além disso, há o risco de aumento nas tarifas de energia elétrica, devido ao maior uso de usinas térmicas, e nos preços de fertilizantes, com potenciais impactos na produção agrícola da safra 2026/27. Indiretamente, os custos de produção e fretes tendem a subir, reforçando a inércia inflacionária.
Deterioração das Expectativas e Cautela dos Bancos Centrais
O cenário de inflação elevada se soma ao risco de deterioração das expectativas econômicas, em um ambiente já marcado por desancoragem, o que pode ampliar a disseminação do choque inflacionário para os preços ao consumidor. O alívio, segundo o Santander, pode vir em 2027, com um real mais estável e a dissipação do choque de expectativas. Enquanto isso, os principais bancos centrais globais reagem com cautela, evitando ajustes precipitados e monitorando os efeitos sobre a atividade econômica e a inflação. O presidente do Banco Central brasileiro, Gabriel Galípolo, indicou que o Brasil está em uma posição relativamente mais confortável para enfrentar esse choque geopolítico, apesar de o déficit em conta corrente permanecer elevado.
Câmbio e Política Fiscal Sob Pressão
O real foi favorecido no curto prazo pela alta do petróleo, mas o Santander projeta uma depreciação gradual para R$ 5,60 por dólar em 2026 e R$ 5,70 em 2027. No campo fiscal, a alta do petróleo tende a melhorar a arrecadação, tornando mais factível o cumprimento da meta primária para este ano. Contudo, o risco de novas medidas para mitigar os efeitos do choque energético e o impulso fiscal para sustentar a atividade ainda são pontos de atenção, com a dívida pública seguindo em trajetória de alta.
Fonte: www.seudinheiro.com
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