O Descompasso Entre Ratings e a Realidade Financeira
O cenário financeiro brasileiro tem sido marcado por um aumento expressivo nos pedidos de recuperação judicial, liquidações de bancos e acordos extrajudiciais. Em 2025, as recuperações judiciais bateram recorde, com 2.466 empresas buscando proteção contra credores. Essa realidade contrasta com as classificações de risco (ratings) atribuídas por agências como Fitch, S&P Global e Moody’s a algumas dessas companhias, gerando um debate sobre a eficácia e a tempestividade dessas avaliações.
Empresas como a Ambipar, que possuía rating BB- (escala internacional) antes de entrar com pedido de recuperação judicial, e a Raízen, com rating BBB (escala internacional) antes de surgirem os primeiros sinais de endividamento, são exemplos que causam estranheza. O Banco Master, por exemplo, teve seu rating elevado para A- (escala nacional) pela Fitch no final de 2024, mas acabou sendo liquidado em seguida. Esses episódios levantam questionamentos sobre a confiabilidade dos ratings, especialmente para investidores de varejo que se baseiam nessas notas para tomar decisões de investimento.
Rebaixamentos Bruscos: Uma Sombra do Passado?
Um dos pontos mais críticos é o descompasso na revisão das notas de crédito. Em diversos casos recentes, o rebaixamento de ratings ocorreu após a divulgação de uma série de notícias negativas sobre a saúde financeira das empresas. Em situações extremas, as notas caíram de grau de investimento para alto risco de calote em um curto espaço de tempo, remetendo a episódios como a crise do subprime de 2008, quando títulos de baixa qualidade receberam ratings elevados.
A Raízen protagonizou um dos casos mais emblemáticos: em um único dia, 9 de fevereiro, suas notas foram rebaixadas pelas três principais agências. A S&P Global, por exemplo, derrubou o rating de AA+ para CCC+, uma queda de 14 degraus na escala local. A Fitch realizou duas revisões no mesmo dia, caindo de AAA para CCC. Esses movimentos ocorreram após a empresa anunciar a contratação de assessores financeiros para reestruturar sua liquidez e capital, mas bancos já avaliavam a companhia de forma negativa meses antes.
A Metodologia das Agências e a Percepção do Mercado
Especialistas apontam que as agências de rating seguem metodologias rigorosas e que o mercado, por sua vez, precifica as informações de forma mais ágil. Um analista de crédito privado, que preferiu não se identificar, explica que as agências precisam de tempo para analisar dados, incorporar informações em suas metodologias e, então, revisar uma avaliação. No entanto, para o investidor pessoa física, a nota de rating aparece de forma isolada, sem as sinalizações de perspectiva (positiva, negativa ou estável) ou de observação, que são cruciais para uma análise mais aprofundada.
A metodologia de avaliação pode variar entre as agências e escalas (nacional vs. internacional). A Moody’s Local, por exemplo, utiliza uma metodologia própria para o Brasil, enquanto a Fitch adota critérios internacionais. Além disso, o modelo de negócios das agências, onde as empresas avaliadas pagam pelos serviços, é um ponto de atenção, embora muitos defendam que o próprio mercado se autorregula, penalizando agências que se tornam complacentes.
Como Investidores Podem Navegar Nesse Cenário?
Diante da complexidade e das falhas potenciais das avaliações de risco, a recomendação para investidores, especialmente os de varejo, é diversificar e não depender exclusivamente dos ratings. Investir em crédito privado através de fundos de investimento é uma opção para mitigar riscos, contando com a análise de gestores profissionais. Para quem prefere investir diretamente em títulos de dívida, como debêntures, é fundamental acompanhar os resultados e o noticiário das empresas emissoras.
No caso de títulos bancários, como CDBs, LCIs e LCAs de bancos de médio porte, é essencial não ultrapassar os limites de garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). É crucial lembrar que o crédito privado, mesmo sendo renda fixa, envolve riscos: de emissor (calote), de volatilidade de preços e de concentração. O rating pode ajudar a minimizar o risco do emissor, mas não elimina os demais riscos inerentes ao investimento.
Fonte: www.seudinheiro.com
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