O Fitzgerald, um coquetel que combina gin, suco de limão fresco, xarope de açúcar e angostura bitter, consolidou-se como um dos drinks mais populares e vendidos em São Paulo. Sua ascensão meteórica se deve a uma combinação de fatores: um legado histórico na coquetelaria, um perfil de sabor que dialoga com o paladar paulistano e o crescente interesse pelo gin.
A Origem e a Filosofia por Trás do Sucesso
Criado, segundo a versão oficial, na década de 1990 por Dale DeGroff, o Fitzgerald nasceu em um período de renascimento da coquetelaria. “Ele tem uma importância grande pois surgiu em um momento no qual a coquetelaria estava retomando as suas origens e iniciando a era que vivemos até hoje”, explica Ale D’Agostino, do Coda Bar. O uso de ingredientes frescos e a própria figura de DeGroff, que o criou para o icônico The Rainbow Room em Nova York, são pilares de seu valor.
Márcio Silva, do Exímia, complementa: “Talvez isso também explique seu sucesso, pois ele já nasce dentro de uma mentalidade contemporânea de equilíbrio e acessibilidade”. Essa proposta de ser ao mesmo tempo acessível e com profundidade sensorial é um dos seus grandes trunfos.
Por Que São Paulo Adotou o Fitzgerald?
A afinidade de São Paulo com bebidas cítricas, com a caipirinha como exemplo, pavimentou o caminho para o Fitzgerald. “Ele segue o caminho da bebida cítrica, que lembra um pouco a caipirinha”, observa D’Agostino. Essa familiaridade com o frescor e a acidez torna a transição para o Fitzgerald natural.
Silva ainda conecta o drink ao ritmo da metrópole: “Ele traduz muito do paladar contemporâneo da cidade. São Paulo tem um ritmo intenso, uma vida urbana acelerada, e o Fitzgerald funciona muito bem nesse sentido: é vibrante, energético e extremamente gastronômico”. O coquetel oferece frescor, acidez, aroma e equilíbrio, sem ser excessivamente complexo, agradando tanto novatos quanto experientes.
O boom do consumo de gin no Brasil também é um fator crucial. Gabriela Fernandes, do Oculto, aponta: “Na minha visão, o boom do Fitzgerald em São Paulo está muito ligado à onda de consumo de gin, que cresceu bastante nos últimos anos e segue em alta”. O público é atraído pelo destilado e, em seguida, pelo perfil sensorial do drink, que é cítrico, levemente adocicado e acessível.
A Arte da Simplicidade: Receita e Execução Perfeita
A receita clássica do Fitzgerald é minimalista: gin, suco de limão fresco, xarope de açúcar simples e angostura bitter. A proporção usual é de 60 ml de gin, 22 ml de limão, 22 ml de xarope e duas doses de bitter. Contudo, sua aparente simplicidade exige precisão técnica.
“Simplicidade e profundidade não são opostos”, afirma Silva. “Muitas vezes, os maiores clássicos da coquetelaria são justamente os mais simples estruturalmente.” Cada ingrediente ganha destaque, e não há espaço para disfarçar desequilíbrios. “Quando bem executado, ele se torna extremamente marcante”, garante.
A escolha dos ingredientes e a execução são cruciais. O tipo de limão (siciliano oferece um toque mais delicado que o Tahiti) e o perfil botânico do gin influenciam diretamente o resultado. “Um grande Fitzgerald precisa ter acidez viva, textura limpa e final seco. O açúcar não pode aparecer demais, e o bitter precisa complementar, nunca dominar”, detalha Silva.
O gelo, muitas vezes subestimado, também é fundamental. “É preciso usar o gelo certo, em tamanho médio ou grande, e na quantidade correta”, alerta D’Agostino. Gelo de baixa qualidade pode diluir o drink rapidamente e comprometer a experiência.
Onde Provar o Fitzgerald em São Paulo
Para quem deseja experimentar o Fitzgerald na capital paulista, diversos bares oferecem versões que vão do clássico a releituras criativas:
- Beefbar: Oferece a versão clássica e uma com Tanqueray Sevilla (R$ 49).
- Coda Bar: Apresenta o Fitzgerald clássico por R$ 52.
- Oculto: A versão original custa R$ 39 e integra a carta de clássicos.
- Piccini Bar: Destaca-se pela finalização com óleo de limão siciliano.
- Grotta Cucina: Segue a receita clássica, com gin london dry e limão siciliano (R$ 45).
- Jacarandá: Um dos mais pedidos, na versão original com gin APTK (R$ 45).
- Pobre Juan: Uma opção para acompanhar a parrilla, com gin, limão siciliano, açúcar e bitter (R$ 51).
- Rendez-vous: Traz o Lillet Fitzgerald (R$ 48), com um toque de Lillet Rosé.
- Expedito Bar: No Campo Belo, serve a composição clássica (preço não informado).
- La Serena: Ideal para acompanhar ostras e frutos do mar, no JK Iguatemi (R$ 52).
- Bistrot du Quartier: Combina com pratos clássicos franceses (R$ 45).
- Basq: Inspirado na culinária basca, oferece o Fitzgerald por R$ 39.
O Fitzgerald se consagra como um novo clássico, com uma estrutura antiga, provando que a simplicidade, quando bem executada, pode gerar resultados extraordinários e conquistar o coração (e o paladar) de uma metrópole vibrante como São Paulo.
Fonte: www.seudinheiro.com
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