Impacto da suspensão do consignado do INSS no desempenho trimestral
As ações do Agibank (Agi) enfrentaram um período de desvalorização em Wall Street, acumulando uma queda de aproximadamente 26,5% desde sua oferta pública inicial (IPO). O primeiro balanço divulgado após a listagem revelou um cenário de rentabilidade em retração, com o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) caindo para 35,8% no quarto trimestre de 2025, um recuo em relação aos 44,4% registrados no ano anterior. O principal fator para esse desempenho aquém do esperado foi a suspensão temporária nas originações de crédito consignado do INSS em dezembro. Esse segmento, que representa o principal motor de crescimento do banco, sofreu um impacto significativo, levando a uma queda de 28% nas originações de crédito na comparação anual. Essa redução afetou não apenas o crescimento da carteira, mas também a venda cruzada de outros produtos, como seguros e crédito pessoal, e pressionou as receitas de tarifas.
Crescimento da carteira e base de clientes segue robusto, mas com atenção ao risco
Apesar do revés pontual com o consignado do INSS, o Agibank demonstrou resiliência em outras frentes. A carteira de crédito expandiu-se expressivamente, atingindo R$ 34,8 bilhões ao final do quarto trimestre, um aumento de 43,9% em 12 meses. A estratégia do banco continua focada em crédito com garantia, que já representa 86% do portfólio, mantendo um perfil conservador. A base de clientes também apresentou crescimento acelerado, chegando a 6,7 milhões de usuários em dezembro, um salto de 73% em relação ao ano anterior. Contudo, o trimestre trouxe sinais de pressão no risco, com a inadimplência acima de 90 dias subindo para 3,7%. Esse aumento foi influenciado por mudanças no mix da carteira, com o avanço do consignado privado, que estruturalmente apresenta taxas de inadimplência mais altas que o consignado do INSS, e por ajustes nos modelos de crédito.
Visão de longo prazo e a aposta na ‘silver economy’
Apesar da volatilidade recente e das pressões pontuais, a visão de longo prazo dos analistas sobre o Agibank permanece majoritariamente positiva. A tese de investimento se ancora na exploração do mercado de crédito para aposentados e pensionistas, a chamada ‘silver economy’, que conta com mais de 42 milhões de brasileiros. O CEO do Agibank, Marciano Testa, reafirmou o foco em atender clientes que o sistema bancário tradicional e outras fintechs têm dificuldade em alcançar de forma eficaz. O banco se destaca como um dos principais players neste nicho, sendo o único desafiante credenciado como pagador de salários para a Previdência Social Brasileira. Esse posicionamento estratégico é visto como o principal diferencial competitivo do banco e o sustentáculo de suas expectativas de crescimento futuro.
Recomendação de compra e múltiplos atrativos para investidores
Analistas do BTG Pactual e do Citi reiteraram a recomendação de compra para as ações do Agibank, enxergando a recente desvalorização como uma janela de oportunidade. O BTG Pactual, em particular, sugere que parte do mercado pode ter subestimado o impacto do período de transição pós-IPO e as disrupções no segmento do INSS. Atualmente, as ações negociam a múltiplos de 6,2 vezes o lucro esperado para 2026, um patamar considerado muito atrativo pelos analistas. O BTG manteve seu preço-alvo em US$ 17, o que representa uma potencial valorização de 157%, enquanto o Citi projeta US$ 18, implicando um retorno esperado de 172%. A expectativa é de que a normalização da originação de crédito e a aceleração do negócio ao longo de 2026 sustentem a recuperação dos papéis.
Fonte: www.seudinheiro.com
