Safra emite alerta sobre Ambev (ABEV3)
O Banco Safra surpreendeu o mercado ao rebaixar a recomendação das ações da Ambev (ABEV3) de neutro para venda, apesar de elevar o preço-alvo de R$ 14 para R$ 16. A instituição acredita que a melhora recente nos volumes de vendas da cervejaria já está refletida no preço das ações, e que o mercado pode estar excessivamente otimista em relação às margens da companhia.
A expectativa de uma retomada no setor de cervejas no Brasil em 2026, impulsionada pela Copa do Mundo FIFA e por uma base de comparação mais favorável, também já estaria precificada pelos investidores. No entanto, o Safra argumenta que o mercado subestima a pressão sobre as margens, decorrente de maiores despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A) e de condições desafiadoras em diferentes geografias onde a Ambev atua.
Desafios Estruturais e Geográficos Persistem
O setor cervejeiro brasileiro tem enfrentado um cenário de estagnação desde 2020, marcado por um ambiente competitivo acirrado, com a Heineken consolidando sua posição. Embora a Ambev tenha recuperado algum terreno em 2025, especialmente no segmento de cervejas premium, os desafios estruturais persistem em outras regiões.
O Canadá, por exemplo, enfrenta uma tendência secular de contração no setor. A economia argentina volta a mostrar sinais de enfraquecimento após uma recuperação modesta em 2024, e mercados como América Central e Caribe (CAC) são inerentemente voláteis. A divisão de não alcoólicos (NAB Brasil), que vinha apresentando crescimento consistente, também perdeu fôlego recentemente.
Copa do Mundo e Pressão nas Margens
O Safra reconhece que os volumes no Brasil podem se beneficiar em 2026 do ciclo da Copa do Mundo e de uma base de comparação mais fraca após a queda registrada no ano anterior. A previsão é que os preços possam compensar o custo por hectolitro em 2026. Contudo, o banco alerta que as despesas com SG&A devem pressionar as margens de forma significativa.
A projeção é de uma deterioração de 176 pontos-base nas despesas com SG&A como percentual da receita, impulsionada por maiores gastos com marketing relacionados à Copa do Mundo e pelo pagamento de bônus, que foram cortados no ano passado devido ao fraco desempenho de volumes. O banco também antecipa resultados fracos para a Ambev no primeiro trimestre de 2026 (1T26), com tendências igualmente fracas em NAB Brasil, CAC, América do Sul (LAS) e Canadá.
Valuation Elevado e Riscos no Radar
O valuation das ações da Ambev é outro ponto de atenção para o Safra. A cervejaria negocia com um prêmio em relação a seus pares globais, o que, na visão do banco, limita o espaço para novas altas sustentáveis. As ações da Ambev são negociadas a 15,7 vezes o lucro projetado para 2026, um prêmio de cerca de 14% em comparação com concorrentes internacionais.
O preço atual das ações já incorpora a esperada recuperação de volumes no Brasil, mas não reflete adequadamente riscos relevantes, como a compressão de margens, a possível frustração das expectativas ligadas à Copa do Mundo, a piora do ambiente competitivo e a possibilidade de mais um ano marcado por condições climáticas adversas. Esses fatores embasam a decisão do Safra de rebaixar a recomendação para venda.
Fonte: www.seudinheiro.com
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