Cláudio Castro se torna inelegível após decisão do TSE
Em uma decisão que abala o cenário político do Rio de Janeiro, o atual governador Cláudio Castro (PL) foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A condenação, por cinco votos a dois, ocorreu em decorrência de abuso de poder econômico e político durante as eleições de 2022. A pena imposta ao governador é de quatro anos de inelegibilidade, o que o impede de concorrer nas eleições deste ano e em 2030.
Castro renunciou ao cargo na última segunda-feira (23), alegando pré-candidatura ao Senado. No entanto, segundo informações veiculadas pelo jornal O Globo, a renúncia teria sido uma estratégia para esvaziar o processo no TSE e evitar a cassação do mandato. Em nota oficial, Castro afirmou: “Hoje eu encerro o meu tempo à frente do governo do estado. Vou em busca de novos projetos. Como todos sabem, sou pré-candidato ao Senado. Saio de cabeça erguida e de forma grata”.
O que motivou a condenação e o futuro do governo
A ação no TSE, movida pelo Ministério Público Eleitoral, acusava Cláudio Castro de abuso de poder político e econômico, irregularidades em gastos de campanha e uso indevido da máquina pública. A denúncia centralizava-se na criação de mais de 27 mil cargos irregulares na Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos (Ceperj) e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), com o objetivo de mobilizar cabos eleitorais para favorecer sua reeleição. Embora inicialmente absolvido, a coligação de Marcelo Freixo recorreu ao TSE, culminando na condenação atual.
Com a renúncia de Castro e a consequente inelegibilidade, o Rio de Janeiro terá uma eleição indireta na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) em até 30 dias. Os deputados estaduais escolherão um novo governador para concluir o mandato até o final de 2026. Enquanto isso, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Couto, assume como governador interino, uma vez que o estado também se encontra sem vice-governador, após Thiago Pampolha deixar o cargo para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado.
Um histórico de problemas no Palácio Guanabara
A condenação de Cláudio Castro se insere em um contexto preocupante para o Rio de Janeiro. Desde a redemocratização, apenas dois ex-governadores eleitos não enfrentaram problemas judiciais: Leonel Brizola e Marcello Alencar, ambos já falecidos. Outros governadores, como Nilo Batista, Benedita da Silva e Francisco Dornelles, assumiram o cargo interinamente e não tiveram pendências judiciais significativas durante seus mandatos.
No entanto, a lista de ex-chefes do Palácio da Guanabara que estiveram no banco dos réus é extensa e inclui nomes como Moreira Franco (preso na Lava Jato), Anthony Garotinho (preso diversas vezes por esquemas de compra de votos e corrupção), Rosinha Garotinho (presa por corrupção e superfaturamento), Sérgio Cabral (condenado a mais de 180 anos na Lava Jato e cumprindo medidas cautelares), Luiz Fernando Pezão (preso por corrupção e envolvimento com organização criminosa) e Wilson Witzel (afastado e impedido após suspeitas de irregularidades em contratos na saúde).
Fonte: www.seudinheiro.com
