Construção Civil no 4T25: Direcional e Cury Brilham, Enquanto Eztec Enfrenta Desafios de Timing
O que esperar do balanço do quarto trimestre de 2025 para as construtoras?
O quarto trimestre de 2025 promete ser um período de resultados sólidos para grande parte do setor de construção civil, especialmente para as empresas focadas no segmento de baixa renda. A principal força motriz por trás desse desempenho positivo é a continuidade do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), que tem impulsionado tanto a receita quanto a lucratividade das companhias. Contudo, a forma como cada empresa gerencia sua estrutura de capital e reconhece suas receitas será o diferencial para o sucesso nesta temporada de balanços.
Direcional e Cury: Destaques da Temporada
As construtoras Cury (CURY3) e Direcional (DIRR3) emergem como as grandes favoritas para apresentar resultados expressivos. Ambas combinam um crescimento consistente de receita com uma expansão de suas margens brutas, o que se traduz em um forte avanço no lucro líquido. O BTG Pactual ressalta a força contínua do segmento de baixa renda, mesmo com uma desaceleração pontual nas vendas no trimestre. As empresas conseguiram manter um crescimento robusto sem sacrificar a rentabilidade ao longo de 2025.
Para a Direcional, o Santander projeta um aumento de 28,9% na receita líquida, alcançando R$ 1,2 bilhão, sustentado por um forte volume de pré-vendas. A expectativa é de uma expansão de 68 pontos-base na margem bruta, atingindo 40,7%, impulsionada pela eficiência de custos e um ambiente mais favorável. A XP corrobora essa visão, prevendo uma leve expansão da margem bruta ajustada para 42,2%, indicando a execução de projetos contratados com alta rentabilidade.
No caso da Cury, o BTG Pactual estima uma receita líquida de R$ 1,415 bilhão, um crescimento de 37% na comparação anual. A expansão sequencial da margem bruta para 40,1% e um salto de 44% no Ebitda anual são esperados, beneficiados por custos de construção favoráveis. O lucro líquido deve crescer 57% ano a ano, atingindo R$ 260 milhões.
MRV Mostra Sinais de Recuperação
A MRV (MRVE3) também deve apresentar um quarto trimestre consistente, reforçando os sinais de recuperação de sua operação brasileira. O Citi espera um desempenho ligeiramente melhor na comparação trimestral, com avanço de margens no negócio da incorporadora. O Santander projeta uma receita líquida da MRV Incorporação de R$ 2,9 bilhões, alta de 31,9% na comparação anual, impulsionada pelo crescimento das pré-vendas e avanço das obras. O Itaú BBA prevê um crescimento de 26% na receita líquida e um avanço de 300 pontos-base nas margens brutas, com o lucro líquido atingindo R$ 70 milhões, revertendo o prejuízo do mesmo período do ano anterior.
Plano&Plano e Tenda Enfrentam Pressões
Em contrapartida, Plano&Plano (PLPL3) e Tenda (TEND3) podem enfrentar um trimestre mais pressionado. O Santander aponta que a Tenda sentirá o impacto da Alea, sua divisão de casas pré-fabricadas, que ainda opera com margens brutas negativas. Isso prejudica o resultado consolidado da companhia. Para a Plano&Plano, a receita líquida deve alcançar R$ 1,0 bilhão, mas a margem bruta é estimada em 29,7%, uma queda de 78 pontos-base frente ao trimestre anterior, refletindo a estratégia de vender unidades com desconto para reduzir estoques.
Eztec: O ‘Infeliz’ do Trimestre por Questão de Timing
A Eztec (EZTC3) é apontada como um dos “infelizes” do trimestre, devido principalmente a uma questão de timing no reconhecimento de receita. Segundo o Santander e a XP, parte dos lançamentos feitos no final do ano terá o reconhecimento de receita transferido para o primeiro trimestre de 2026. Como o setor utiliza o método de Percentual de Conclusão (PoC), as vendas só entram no balanço conforme o avanço das obras, o que impacta negativamente o resultado imediato. O BTG Pactual espera uma queda de 30% na receita líquida, para R$ 300 milhões, e uma queda de 14% no lucro líquido, para R$ 108 milhões.
Cyrela e Moura Dubeux: Destaques na Média e Alta Renda
No segmento de média e alta renda, a Cyrela (CYRE3) é vista como um destaque. A XP projeta uma receita de R$ 2,621 bilhões, com alta de 5% na comparação anual, sustentada por bom ritmo de vendas e avanço das obras. A margem bruta deve ficar em 33,8%. Já a Moura Dubeux (MDNE3) deve apresentar um 4T25 forte, com receita líquida de R$ 685,4 milhões, um crescimento de 86,3% na comparação anual, impulsionada pelo reconhecimento de receitas de terrenos comprados à vista, embora a margem bruta deva cair para 32,3%.
Fonte: www.seudinheiro.com
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