Copom corta Selic em 0,25 p.p. e a fixa em 14,75% ao ano; guerra no Oriente Médio lança sombra sobre próximos cortes

Copom corta Selic em 0,25 p.p. e a fixa em 14,75% ao ano; guerra no Oriente Médio lança sombra sobre próximos cortes

Decisão cautelosa do Banco Central reflete incertezas globais e potencial impacto inflacionário do conflito, mas mercado ainda aposta em afrouxamento monetário contínuo.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (19), reduzir a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, fixando-a em 14,75% ao ano. A decisão, embora já esperada por parte do mercado financeiro, vem em um contexto de crescente incerteza global, especialmente devido aos conflitos no Oriente Médio.

Ajuste cauteloso em meio a incertezas globais

Alberto Ramos, economista-chefe de LatAm no Goldman Sachs, avalia que o corte só ocorreu devido à sinalização prévia do Copom. Caso contrário, a manutenção da Selic em 15% ao ano seria a escolha mais provável. Segundo ele, um ajuste moderado de 0,25 p.p. minimiza o risco de arrependimentos futuros, permitindo uma aceleração no ritmo de cortes para 0,50 p.p. ou mais caso o cenário externo se normalize. O Copom justificou a “calibração” da Selic pela manutenção prolongada da taxa em patamar contracionista, evidenciando a eficácia dos juros altos.

Guerra no Oriente Médio e o impacto na inflação brasileira

A escalada de tensões entre Estados Unidos, Irã e Israel lança uma nova variável sobre as perspectivas de juros no Brasil. O principal mandato do Banco Central é o controle da inflação, e o conflito no Oriente Médio tem potencial para impactar os preços do petróleo. O aumento do custo do petróleo pode gerar um efeito cascata nos custos de produção e transporte, elevando os preços de bens e serviços no mercado interno. O Copom declarou em seu comunicado que “considera os impactos dos conflitos no Oriente Médio de forma prospectiva, em particular seus efeitos sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities que afetam direta e indiretamente a inflação no Brasil”.

Próximos passos: “Calibração” ou início de um ciclo?

No comunicado desta quarta-feira, o Copom removeu qualquer indicação explícita sobre futuras reduções, afastando a ideia de um início imediato de um ciclo de afrouxamento monetário. O ajuste atual é tratado como uma “calibração” pontual. No entanto, muitos agentes financeiros veem os efeitos da guerra como “potencialmente transitórios”, o que poderia permitir a continuidade dos cortes nas próximas reuniões. O Bank of America (BofA), por exemplo, mantém a visão de que um ciclo consistente de afrouxamento monetário é viável, mesmo com a crescente incerteza global, e que o Copom poderá acelerar os cortes para 0,50 p.p. a partir de abril.

Inflação projetada acima da meta exige atenção

A grande questão para as futuras decisões do Copom reside na projeção de inflação para o horizonte de monitoramento do Banco Central, que abrange 18 meses à frente. Na análise atual, a projeção para o terceiro trimestre de 2027 é de 3,3% ao ano, acima da meta de 3%. Em janeiro, essa projeção era de 3,2%. O potencial choque inflacionário decorrente da guerra pode ter elevado ainda mais essa estimativa. O comunicado do Copom ressalta que “o ambiente externo tornou-se mais incerto, em função do acirramento de conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”. Caso a projeção de inflação para o horizonte de monitoramento permaneça significativamente acima da meta em abril, um novo corte na Selic pode não ocorrer.

Fonte: www.seudinheiro.com

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