Dólar perde o brilho? Estrategista do BTG Pactual analisa futuro da moeda americana como protagonista global

Dólar mantém sua força no cenário mundial, apesar de debate sobre diversificação

O debate sobre a possível perda de protagonismo do dólar no mercado global tem ganhado força com a recente desvalorização da moeda norte-americana. No entanto, para João Scandiuzzi, estrategista-chefe do BTG Pactual, a moeda dos EUA continuará a desempenhar um papel central no sistema financeiro internacional. Segundo ele, a ausência de uma alternativa com a mesma profundidade de mercado impede uma mudança significativa no curto prazo.

Economia dos EUA e atratividade de investimentos sustentam o dólar

Scandiuzzi explicou que a resiliência da economia americana é um dos principais fatores que mantêm o dólar como referência. Mesmo diante de cenários adversos, como a alta rápida de juros e outros choques, a economia dos Estados Unidos tem demonstrado crescimento consistente, o que continua a atrair capital global. “O mercado chegou a precificar uma recessão em diferentes momentos […], mas a economia dos Estados Unidos seguiu crescendo bem. Isso mantém o fluxo de capital concentrado lá fora”, afirmou o estrategista durante o evento VTEX Day, em São Paulo.

Além disso, um novo ciclo de investimentos, especialmente em inteligência artificial, tem mobilizado centenas de bilhões de dólares, aumentando ainda mais a atratividade dos ativos americanos. Esse fluxo de capital ajuda a sustentar o dólar em patamares elevados, dificultando uma mudança estrutural no sistema financeiro global no curto prazo.

Falta de alternativas e o papel do dólar como reserva de valor

O estrategista do BTG Pactual ressaltou que, apesar das discussões sobre diversificação de reservas e tensões geopolíticas, o capital continua fluindo para os Estados Unidos. “O dólar continua sendo a principal referência global de valor e liquidez. Para mudar isso, precisaria haver uma alternativa com a mesma profundidade de mercado, o que hoje não existe”, pontuou Scandiuzzi.

Esse cenário de dólar forte e juros elevados no exterior impõe desafios adicionais para países emergentes, como o Brasil, que enfrentam pressões financeiras em suas economias.

Oportunidades táticas em mercados globais após correção de ativos

Apesar de a moeda norte-americana manter seu protagonismo, o estrategista apontou que o ambiente global ainda favorece os ativos americanos, impulsionados pelo setor de tecnologia e pelo alto volume de investimentos. Contudo, Scandiuzzi identificou oportunidades táticas em outros mercados. Após a recente correção, especialmente em empresas de tecnologia, os múltiplos de algumas ações tornaram-se mais atrativos, o que pode abrir espaço para novas alocações de investimento. “A gente viu uma compressão importante e, em alguns casos, empresas de crescimento negociando próximo a setores mais tradicionais, o que não parece fazer sentido no longo prazo”, concluiu.

Fonte: www.seudinheiro.com

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