Dua Lipa Abre Biblioteca de Livros Censurados em Portugal com Destaque para Obra Brasileira
Biblioteca Manifesto em Lisboa celebra a liberdade de expressão com seleção de obras controversas e historicamente reprimidas.
A estrela pop Dua Lipa inaugurou a Biblioteca Manifesto em Lisboa, Portugal, um espaço dedicado a celebrar e expor livros que foram censurados ou banidos ao longo da história. A iniciativa, que tem como objetivo promover o debate e a reflexão sobre a liberdade de pensamento, conta com uma seção especial dedicada a obras brasileiras, com destaque para o aclamado livro Olhos d’Água, de Conceição Evaristo.
Obras que Desafiam o Controle e a Exclusão
A Biblioteca Manifesto é dividida em seções que abordam diferentes facetas da censura e da resistência. A seção Controle reúne títulos que exploram mecanismos de limitação do pensamento, como vigilância e propaganda, apresentando obras como O Conto da Aia, de Margaret Atwood, e O Processo, de Franz Kafka. Já a seção Voz foca em perspectivas historicamente marginalizadas, incluindo A Cor Púrpura, de Alice Walker, e Os Versos Satânicos, de Salman Rushdie. A seção Memória compila livros que tratam de história, apagamento, ditadura e injustiça, com nomes como Pachinko, de Min Jin Lee, e A Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera.
Conceição Evaristo em Destaque Internacional
Para inaugurar a coleção e dar visibilidade à literatura brasileira, Dua Lipa escolheu Olhos d’Água, de Conceição Evaristo. Publicado em 2014, o livro de contos aborda temas cruciais como racismo, pobreza, violência e a vida de mulheres negras no Brasil. A obra ganhou notoriedade em 2021 após um episódio de afastamento de uma professora que a utilizava em sala de aula em Salvador, evidenciando a relevância e o impacto social do trabalho de Evaristo.
Visitação e o Legado da Censura
A Biblioteca Manifesto está localizada dentro da Livraria Lello, em Lisboa. Para visitá-la, é necessário adquirir um ingresso na plataforma da livraria, com valor a partir de 15,95 euros (aproximadamente R$ 94), que pode ser abatido na compra de livros da editora da casa. A iniciativa de Dua Lipa resgata a importância histórica da luta contra a censura, prática que remonta a séculos, com exemplos como o Index Librorum Prohibitorum da Igreja Católica e as queimadas de livros na Alemanha nazista. No Brasil, a censura literária foi marcante durante a Ditadura Militar, com centenas de obras vetadas pelo Estado.
Censura Contemporânea e o Convite à Leitura
A censura literária, no entanto, não é um fenômeno restrito ao passado. Nos Estados Unidos, o debate sobre livros banidos em escolas e bibliotecas tem crescido, com milhares de títulos sob tentativas de censura anualmente, muitos deles abordando temas LGBTQIA+ e raciais. No Brasil, casos de retirada de livros de escolas, como O Avesso da Pele, de Jeferson Tenório, e clássicos como Laranja Mecânica, de Anthony Burgess, também são recorrentes. Em suas palavras, Dua Lipa convida o público a visitar o espaço e a tirar suas próprias conclusões: “Por vezes, a coisa mais subversiva que se pode fazer é ler um livro e, depois, falar sobre ele.”
Fonte: www.seudinheiro.com
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