Balanço trimestral da Embraer decepciona mercado, mas não abala analistas
As ações da Embraer (EMBJ3) sofreram a maior queda no Ibovespa nesta sexta-feira (8), registrando uma desvalorização de 10,53% após a divulgação de seu balanço do primeiro trimestre. Embora a empresa tenha apresentado receita recorde e um aumento expressivo no número de aeronaves entregues, o resultado veio abaixo das expectativas do mercado, gerando apreensão entre os investidores.
Receita recorde e entregas em alta não evitam queda das ações
No primeiro trimestre de 2026, a Embraer alcançou uma receita de R$ 7,5 bilhões, um crescimento de 18% em relação ao mesmo período do ano anterior e o maior patamar já registrado para um primeiro trimestre. A entrega de 44 aeronaves representou um salto de 47% na comparação anual. Os segmentos de Defesa & Segurança e Aviação Comercial foram os principais impulsionadores desse recorde, com avanços de 47% e 32% em suas receitas, respectivamente. A Aviação Executiva e Serviços & Suporte também apresentaram crescimento, com altas de 17% e 4%, respectivamente. O Ebitda ajustado também mostrou força, com alta de 18,8%, atingindo R$ 749,4 milhões, e o Ebit ajustado avançou 36%, chegando a R$ 488,6 milhões, com margem Ebit ajustada em 6,4%.
Lucro líquido cai, impactado por base de comparação forte
Apesar dos números de receita e Ebitda robustos, o lucro líquido da Embraer apresentou uma queda de 51%, totalizando R$ 145 milhões. Segundo o Safra, essa retração se deve, em grande parte, a uma base de comparação forte do ano anterior, quando a companhia registrou um ganho significativo em imposto diferido de US$ 124 milhões. Além disso, tarifas de importação dos Estados Unidos impactaram negativamente em US$ 12 milhões os resultados da aviação executiva.
Analistas mantêm recomendação de compra e veem potencial de crescimento
Mesmo com a performance trimestral abaixo do esperado e a forte queda das ações, grandes instituições financeiras mantêm uma visão positiva sobre a Embraer. O Itaú BBA reiterou sua recomendação de ‘outperform’ (equivalente a compra), destacando que a tese de investimento permanece intacta e que a empresa continua sendo uma história de crescimento de dois dígitos com potenciais ainda não precificados pelo mercado. Catalisadores como o avanço da Eve, oportunidades em defesa na Índia e nos EUA, e uma melhora no cenário geopolítico global são apontados como fatores positivos. O BTG Pactual também mantém recomendação de compra, acreditando que a Embraer pode cumprir, ou até superar, seu guidance (previsão de resultados). O banco projeta continuidade no crescimento de entregas, melhorias no mix de clientes e forte momento nas vendas de aeronaves. O Safra também avalia as ações com recomendação de ‘outperform’, citando o crescimento de receita, expansão em todas as divisões e sinais de melhora de margem.
Fonte: www.seudinheiro.com
