Ex-economista do Fed aposta no ouro: Entenda por que o metal precioso é convicção de longo prazo mesmo após queda

O Ouro em 2026: Protagonismo e Queda Recente

O ano de 2026 começou com o ouro em alta, após uma valorização surpreendente de mais de 60% em 2025, superando a marca de US$ 5.000 por onça-troy. Em janeiro e fevereiro deste ano, o metal precioso acumulou uma alta de 20%. No entanto, recentemente, uma queda levou a cotação para cerca de US$ 4.700.

Para muitos, este recuo sinaliza cautela. Contudo, Benjamin Mandel, chefe de análise da Jubarte Capital e ex-economista do Federal Reserve (Fed), considera o ouro uma convicção de longo prazo. Ele destaca que a entrada de compradores de varejo e o desempenho dos ETFs (Exchange Traded Funds) impulsionaram a demanda em 2025, uma onda na qual a Jubarte Capital apostou e continua investindo.

A Fome Global por Ouro: Segurança e Alternativa ao Dólar

O apetite pelo ouro não é apenas especulação. Entre 2022 e 2025, os bancos centrais globais dobraram suas compras, adquirindo mais de 3.200 toneladas do metal. A principal razão é a busca por segurança em um cenário global onde moedas são frequentemente usadas como ferramentas de sanções, e o ouro se destaca por ser um ativo independente de governos.

“O ouro tem uma narrativa de longo prazo super construtiva. Há muita demanda vindo dos bancos centrais e dos investidores globais. Todo mundo está procurando uma alternativa ao dólar”, afirma Mandel. Ele ressalta que o metal precioso se mostrou o ativo mais sensível a essa tendência de diversificação, que ele acredita que continuará.

Além disso, o temor em relação à saúde financeira das grandes potências, com a dívida pública dos EUA ultrapassando os US$ 37,6 trilhões em 2026, impulsiona o mercado em busca de uma reserva de valor contra a desvalorização do papel-moeda e a inflação.

O Paradoxo da Crise: Por Que o Ouro Caiu na Guerra?

Tradicionalmente visto como um porto seguro em tempos de crise e conflitos geopolíticos, o ouro sofreu uma queda durante o recente conflito entre EUA e Irã. Mandel explica que isso ocorreu devido a um fenômeno técnico do mercado conhecido como ‘flush’. Em momentos de crise aguda de liquidez, investidores tendem a vender todos os ativos possíveis, incluindo o ouro, para gerar caixa rapidamente.

“Esse movimento é interessante porque o ouro é um hedge geopolítico, mas sofreu neste evento. Mas uma parte importante dessa história é que os bancos centrais venderam o metal no momento de estresse para mitigar o choque negativo”, explica Mandel. Para ele, esse movimento não anula a função de seguro do ouro, mas demonstra que, em momentos de estresse extremo, até mesmo ativos de segurança podem ser liquidados temporariamente.

Investindo em Ouro no Brasil: ETFs como Porta de Entrada

Apesar da volatilidade recente, Mandel reitera que o ouro continua sendo o ativo mais sensível à tendência global de diversificação fora do dólar e que o tropeço atual é apenas um ruído em uma trajetória de alta. “O preço deve retomar a tendência de longo prazo. Daqui a dois anos, vamos ver que o momento atual foi uma oportunidade de comprar. O fundamento não mudou e deve durar alguns anos”, projeta.

Para quem deseja diversificar a carteira com ouro, não é necessário possuir o metal físico. Uma forma acessível e simples de investir é através de ETFs negociados na bolsa brasileira. Atualmente, existem sete ETFs com exposição ao ouro:

  • ETFs com exposição ao Índice Futuro de Ouro B3 (IFGold B3): GOLB11 (BTG Pactual), GLDI11 (Itaú Asset), GOLX11 (XP Asset) e OURO11 (Bradesco Asset). Esses fundos acompanham a rentabilidade de contratos futuros de ouro negociados na B3, sem exposição cambial, e com acréscimo da taxa básica de juros brasileira. As taxas de administração variam entre 0,20% e 0,40% ao ano.
  • ETFs que investem em ETFs estrangeiros: GOLD11 (XP Asset), que segue o índice LBMA Gold Price (preço do ouro em Londres); GLDX11 (Investo), focado no preço à vista do ouro em barra com lastro em ouro físico; e AURO11 (Buena Vista), que investe em opções de compra de ouro. As taxas de administração variam entre 0,30% e 0,98% ao ano.

Esses ETFs oferecem praticidade, liquidez e custos de administração geralmente baixos, tornando o investimento em ouro acessível para o investidor pessoa física.

Fonte: www.seudinheiro.com

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