O Ibovespa Não é o ‘Patinho Feio’ do Mercado
Apesar das incertezas trazidas pela guerra no Oriente Médio e pelo cenário eleitoral no Brasil, gestores de fundos de ações demonstram otimismo quanto ao desempenho do Ibovespa nos próximos meses. Segundo Sara Delfim, sócia da Dahlia Capital, o investidor brasileiro tende a ser excessivamente pessimista com os ativos locais, buscando o momento ideal para investir em vez de manter uma exposição consistente. Ela ressalta que, mesmo com juros elevados, as empresas brasileiras têm mostrado resiliência e capacidade de aumentar seus lucros, tornando o Brasil competitivo em relação a outros mercados.
Descontos e Resiliência das Empresas Brasileiras
Delfim argumenta que o Ibovespa ainda pode estar descontado, oferecendo espaço para ganhos significativos. A gestora minimiza a preocupação com a dívida pública brasileira, classificando-a como um problema global, e destaca que o país, como exportador de petróleo, não está tão exposto aos impactos diretos da guerra. O histórico recente corrobora essa visão: nos últimos três anos, o Ibovespa superou o CDI, com uma rentabilidade de 71,3% contra 48,4% do indicador de juros.
Fluxo Estrangeiro e Impacto da Guerra
André Lion, gestor da Ibiuna Investimentos, prevê a continuidade do fluxo de investidores estrangeiros para o mercado brasileiro, embora em menor volume devido à aversão ao risco gerada pela guerra. Ele observa que o investidor internacional não se prende tanto aos juros locais ou à dívida pública. A duração da guerra e a possibilidade de acordos são os principais pontos de atenção. A alta dos preços de energia no mundo é um fator relevante, e a expectativa de queda de juros no Brasil é vista como um gatilho importante para o investidor local, enquanto a resolução da guerra pode impulsionar o retorno dos estrangeiros.
Oportunidades em Energia e Títulos Públicos
Diante do cenário, os gestores têm direcionado seus investimentos para o setor de energia, com a discussão de preços de petróleo em patamares elevados. André Caldas, da Springs Capital, acredita que a guerra não se prolongará por mais de três meses e vê oportunidade em títulos públicos indexados à inflação (Tesouro IPCA+ ou NTN-Bs), cujos prêmios estão atrativos devido aos juros e às discussões sobre as contas públicas. Ele aposta na queda futura dessas taxas, o que deve beneficiar a Bolsa. A Bradesco Asset Management, por sua vez, tem focado em ações de empresas com bons balanços e que podem se beneficiar de juros menores, mantendo uma posição de caixa elevada para lidar com a volatilidade do mercado.
Fonte: www.seudinheiro.com
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