Inflação Transitória Apesar de Conflitos Globais? Economista-Chefe do Inter Analisa Impacto na Selic

Cautela na Política Monetária

As incertezas globais, impulsionadas por conflitos no Oriente Médio e a postura de líderes internacionais, têm levado o mercado a reavaliar as projeções para a inflação e a taxa básica de juros (Selic). Inicialmente, esperava-se um ciclo de cortes mais acentuado no primeiro semestre, com ajustes menores na segunda metade do ano. Contudo, a perspectiva agora é de um Banco Central mais cauteloso, com cortes de 0,25 ponto percentual a cada reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). A expectativa majoritária para a próxima decisão é de uma queda da Selic de 14,75% para 14,50% ao ano.

Projeções para a Selic e Inflação

Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter, não descarta a possibilidade de uma inversão no cenário, com cortes menores no primeiro semestre e uma aceleração na segunda metade do ano. Essa mudança, no entanto, dependeria da resolução dos conflitos e de uma queda no preço do petróleo para perto de US$ 80. Atualmente, com as incertezas persistindo, o Brasil flerta com uma Selic terminal em torno de 13%, ainda considerada um patamar restritivo. O próprio Inter elevou sua projeção para a Selic ao final do ano de 12% para 12,75%. A inflação em 2024 também deve superar o teto da meta, com projeções do Inter em 4,9% e do Boletim Focus em 4,86%.

Inflação Transitória e Fatores de Atenção

Apesar das pressões inflacionárias recentes, Vitória acredita que o impacto das incertezas globais tende a ser transitório. Ela argumenta que a política monetária restritiva, o cansaço do crédito para famílias e empresas, e a desaceleração da demanda e da atividade no segundo semestre contribuem para essa visão. O indicador IPCA-15, divulgado recentemente, veio abaixo das expectativas, reforçando a ideia de uma inflação mais pontual, embora a pressão do petróleo sobre alimentos e transporte tenha sido notada. A economista ressalta a necessidade de mais dados para confirmar essa tendência, mas a inflação de serviços não tem mostrado deterioração significativa.

O Papel do Ano Eleitoral e Cenário Internacional

Um fator de atenção são os possíveis estímulos fiscais em um ano eleitoral, que podem aquecer a economia e pressionar a inflação. Em relação à comunicação do Copom, espera-se um tom de cautela, alinhado com a reunião anterior, diante das incertezas. Não há sinais que indiquem uma mudança de ritmo nos cortes ou a necessidade de uma pausa. Nos Estados Unidos, a situação é distinta: a expectativa é de manutenção dos juros devido à atividade econômica forte e à pressão inflacionária. Diferentemente do Brasil, onde a taxa já é restritiva, nos EUA, uma inflação persistente poderia impedir novos cortes. Vitória também acredita que um ajuste fiscal crível no Brasil, independentemente do eleito, seria mais relevante para a queda de juros do que o cenário externo, contribuindo para a reancoragem da inflação e permitindo cortes maiores na Selic.

Fonte: www.seudinheiro.com

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