Recuperações Judiciais se Tornam Corriqueiras e Preocupam Mercado
O cenário para o crédito privado no Brasil enfrenta desafios significativos, impulsionados por dois fatores principais: a alta remuneração dos títulos públicos e uma Lei de Falências que, segundo especialistas, favorece os devedores em detrimento dos credores. Jean-Pierre Cote Gil, sócio da Vinland Capital, destacou durante o 12º Fórum de Investimentos no Brasil, organizado pelo Bradesco BBI, que as recuperações judiciais e extrajudiciais têm se tornado uma prática cada vez mais comum.
“Mesmo com as revisões recentes, a Lei de Falências ainda deixa espaço para o devedor chamar o credor e dizer assim: ‘divide a conta aqui comigo’. É ineficiente e muito ruim para o mercado de crédito”, criticou Cote Gil, ressaltando que essa percepção é ainda mais delicada em um país com investidores tradicionalmente avessos ao risco como o Brasil.
Competição Desigual com Títulos Públicos e Spreads Apertados
O gestor explicou que, em um ambiente onde as empresas buscam proteção contra credores com maior frequência, torna-se inviável para o crédito privado competir com as taxas elevadas oferecidas pelos títulos públicos. Essa dinâmica, segundo ele, resulta em um ciclo vicioso onde, de um lado, o investidor é atraído pelas taxas de juros mais altas da renda fixa governamental e, de outro, os gestores de crédito enfrentam dificuldades para alocar recursos de forma eficiente devido a “spreads” (a diferença entre as taxas de títulos públicos e privados) cada vez mais apertados.
“A próxima pernada [para o mercado de crédito privado] depende desses fatores. Uma Lei de Falências mais pró-credor e deixar de competir com o financiamento do governo”, defendeu Cote Gil, apontando os caminhos para a recuperação do setor.
Investidor Brasileiro Conservador e o Medo de Perdas
A sensibilidade do investidor brasileiro a perdas é um fator crucial, conforme analisado por Cote Gil. Enquanto ganhos são bem-vindos, a experiência de perda tende a afastar o capital do mercado. O momento atual é de correções nos preços e taxas dos títulos de crédito privado, o que impacta negativamente a rentabilidade dos fundos. A classe de ativos, que teve um desempenho forte no ano passado, já registra retornos negativos em 2024.
Embora os resgates de fundos de crédito ainda sejam em volumes baixos, há uma expectativa de aumento nos próximos meses. A estratégia da Vinland Capital, segundo o gestor, é focar em tranquilizar os clientes e explicar que se trata de um movimento natural em períodos de estresse, com potencial de melhora futura.
Oportunidades em Meio à Desconfiança
Apesar do cenário desafiador, Alexandre Muller, sócio e gestor da JGP, vê oportunidades surgindo. Ele argumenta que as correções de preços estão melhorando os prêmios de risco, tornando a alocação mais atrativa. Muller descreve o momento como um ciclo de desconfiança após a euforia do ano anterior, prevendo que a confiança será restabelecida e os padrões de mercado se normalizarão com o tempo.
Fonte: www.seudinheiro.com
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