Petrobras contesta defasagem de preços
Em meio à escalada dos preços do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelas tensões no Oriente Médio, a Petrobras (PETR4) veio a público rebater notícias que sugeriam uma defasagem nos preços de diesel e gasolina praticados pela estatal em comparação com o cenário global. A empresa reiterou que sua política comercial é a base para a formação dos valores dos combustíveis.
O posicionamento da Petrobras foi formalizado em resposta a um ofício enviado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O órgão regulador solicitou esclarecimentos após a divulgação de informações na imprensa que levantavam a possibilidade de interferência política nas decisões de precificação da companhia.
Declarações de Lula e impacto no mercado
O questionamento da CVM teve como pano de fundo declarações recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que expressou a necessidade de proteger o consumidor dos efeitos da alta internacional do petróleo. Vale ressaltar que, em março, o petróleo Brent, referência global, registrou sua maior alta mensal desde 1988, com um avanço de 64%. O WTI, padrão nos Estados Unidos, disparou 52% no mesmo período. Desde o início do ano, as ações da Petrobras (PETR4) acumulam alta de expressivos 56,8%.
Abicom questiona cálculos da Petrobras
A Petrobras também se manifestou sobre os cálculos apresentados pela Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom). A Abicom divulgou, no início da semana, dados que indicavam uma defasagem nos preços praticados pela estatal nas refinarias, estimando R$ 3,05 por litro no diesel e R$ 1,61 por litro na gasolina.
Em sua defesa, a petroleira argumentou que os reajustes de preços não seguem uma periodicidade fixa. As decisões, segundo a empresa, são baseadas em análises técnicas que levam em conta fatores como condições de refino, logística e a busca por reduzir a volatilidade no mercado interno. A política de preços atual, implementada em 2023, visa evitar o repasse automático das oscilações do mercado externo.
Medidas de mitigação e governança
A estatal citou ainda medidas recentes, como o aumento de R$ 0,38 por litro no preço do diesel A vendido às distribuidoras, somado à adesão a um programa federal de subvenção que adiciona R$ 0,32 por litro. O efeito combinado dessas ações, segundo a Petrobras, equivale a R$ 0,70 por litro.
Em relação às estimativas de analistas que apontavam perdas bilionárias caso a defasagem fosse mantida, a Petrobras declarou não reconhecer tais projeções. A empresa reafirmou seu compromisso com a sustentabilidade financeira e assegurou que sua governança e seus deveres fiduciários estão sendo integralmente cumpridos.
Anulação de leilão de gás levanta novas questões
Na última quinta-feira (2), a precificação de produtos da Petrobras voltou a ser tema de destaque. O presidente Lula anunciou a intenção de anular um leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP) realizado pela estatal, após a Petrobras negociar o produto com ágios superiores a 100%. Lula afirmou que o governo não permitirá que o consumidor arcasse com tal custo, alegando que o leilão ocorreu em desacordo com as orientações governamentais e da própria direção da Petrobras.
Fonte: www.seudinheiro.com
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