O enigma dos juros elevados no Brasil
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central (BC), declarou nesta sexta-feira (10) que a persistência dos juros altos no Brasil é mais uma característica estrutural da economia do que um reflexo de fatores conjunturais. Em palestra para alunos da FEA-USP, Galípolo abordou a discrepância entre a taxa Selic, que supera os juros nominais de outros países, e o cenário econômico brasileiro, marcado por crescimento e desemprego em mínimas históricas.
“Como vocês têm uma taxa de juros de 14,75% ao ano quando a economia está crescendo, o desemprego está no mínimo histórico, vocês estão em pleno emprego e a inflação está fora da meta?”, questionou Galípolo, ecoando as dúvidas frequentemente feitas no exterior. Ele admitiu a dificuldade em responder a essa indagação, destacando a “dissonância” presente na economia. A relação entre emprego e inflação, conhecida como Curva de Phillips, não tem respondido como esperado, mesmo com a taxa Selic em patamares elevados e o desemprego em seu menor nível histórico.
Um desafio histórico para a política monetária
Galípolo classificou a situação como uma “anomalia” e lançou o desafio para a geração atual: “Talvez, o desafio desta geração seja descobrir como normalizar a política monetária no Brasil.” Ele comparou a necessidade de “doses cavalares do remédio” (juros altos) por períodos prolongados para obter efeitos semelhantes aos de outros países, que utilizam doses menores.
O presidente do BC também revisitou outros desafios históricos da economia brasileira. Nos anos 1950, o foco era a industrialização e a substituição de importações. Já nas décadas de 1970 e 1980, a inflação crônica, que perdurou por 15 anos acima de três dígitos, dominou as discussões econômicas, gerando vasta literatura sobre o tema.
O papel do cartão de crédito e a inadimplência
Galípolo também apontou o cartão de crédito como um vilão na estrutura de juros do país. Enquanto a Selic está em 14,75% ao ano, as taxas do cartão de crédito podem atingir esse valor ao mês, tornando o corte de 0,25 ponto percentual na Selic inexpressivo para essa linha de crédito. “Se você tem uma taxa de juros de 15% ao mês, a sensibilidade é baixa”, observou.
Uma peculiaridade brasileira reside no fato de 40 milhões de pessoas utilizarem cartão de crédito com uma inadimplência de 60%. Galípolo comparou essa situação a um avião que cai 60% das vezes, indicando um “erro de concepção”. Ele também ressaltou a percepção do brasileiro sobre dívida, que muitas vezes só é reconhecida quando há atraso no pagamento. O limite do cartão, mesmo quando não utilizado para atrasos, é visto como uma reserva de emergência, ignorando o alto custo do crédito rotativo, destinado justamente a essas situações.
Fonte: www.seudinheiro.com
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