Trajetória Despencando na Bolsa
As ações da Oncoclínicas (ONCO3) têm sido um pesadelo para investidores desde seu IPO em 2021, com uma desvalorização superior a 90%. O valor, que estreou a R$ 19,75, hoje mal ultrapassa a casa dos R$ 2. Essa performance já seria suficiente para afastar os mais conservadores, mas a volatilidade recente trouxe a empresa de volta aos holofotes.
Na última semana, a notícia de uma possível parceria estratégica com a Porto (PSSA3) e o Fleury (FLRY3) impulsionou os papéis em quase 60% em um único dia. No entanto, a euforia foi breve, com a ação devolvendo cerca de 20% no pregão seguinte. Atualmente, os papéis operam em queda, acumulando perdas de quase 30% no ano.
A Nova Oncoclínicas: Parceria com Porto e Fleury em Detalhes
A narrativa em torno da Oncoclínicas agora gira em torno de uma potencial reestruturação societária envolvendo Porto e Fleury. A proposta visa reorganizar o negócio, injetar capital novo e simplificar a estrutura de balanço, que se encontra sob pressão. A ideia central é a criação de uma nova empresa, a “NewCo”, que concentraria os ativos de clínicas de oncologia do grupo.
Nesse modelo, a Oncoclínicas aportaria seus ativos, enquanto Porto e Fleury contribuiriam com, no mínimo, R$ 500 milhões em capital. Adicionalmente, prevê-se a emissão de até R$ 500 milhões em debêntures conversíveis em ações. Embora a estratégia pareça promissora para isolar o núcleo do negócio e atrair sócios, ela levanta questões sobre o que restará para o acionista da Oncoclínicas listada.
O Que Sobra Para o Acionista da ONCO3?
Pelo plano em discussão, até R$ 2,5 bilhões em dívidas da Oncoclínicas poderiam ser transferidos para a nova estrutura. A companhia listada, por sua vez, ficaria com uma participação na “NewCo”, além dos ativos considerados não essenciais (hospitais, por exemplo) e a dívida remanescente em seu balanço.
Essa separação muda a natureza da ação ONCO3. De acordo com o JP Morgan, ela passará a refletir uma combinação de participação indireta na operação de clínicas com um “residual” de ativos e passivos. Embora a entrada de capital e a redução da alavancagem sejam pontos positivos, a diluição econômica e a incerteza sobre o valor remanescente para o acionista são preocupações significativas.
JP Morgan Mantém Visão Pessimista: Ainda Há Espaço para Cair
Na visão do JP Morgan, mesmo com a concretização do negócio com Porto e Fleury, as ações da Oncoclínicas ainda não atingiram seu piso. Os analistas apontam que o valuation da operação dependerá do Ebitda da nova empresa e da alocação final das dívidas.
As estimativas do banco sugerem que a “NewCo” poderia gerar cerca de R$ 891 milhões em Ebitda. Projetam também cerca de R$ 2 bilhões de dívida líquida na nova estrutura e 70% de participação econômica para a Oncoclínicas. Para a atual Oncoclínicas listada, o JP Morgan prevê R$ 300 milhões em ativos residuais e R$ 700 milhões de dívida líquida remanescente.
O resultado, segundo o banco, é um intervalo de valor amplo, com valor patrimonial implícito entre R$ 692 milhões e R$ 3,2 bilhões. Mesmo no cenário mais otimista, o JP Morgan considera que o preço atual das ações não reflete totalmente os riscos envolvidos. Por isso, a recomendação para ONCO3 permanece em “underweight” (equivalente a venda).
Caixa no Centro da História: Proposta de Injeção de Capital
Em meio às negociações com Porto e Fleury, um fundo norte-americano, o MAK Capital Fund, demonstrou interesse em injetar R$ 500 milhões na Oncoclínicas. A proposta, contudo, condiciona o aporte à destituição do atual conselho de administração e eleição de novos membros. Para o JP Morgan, essa oferta reforça a necessidade de capital de curto prazo da empresa, mas também valida a tese de que os ativos e a exposição ao mercado de oncologia da companhia são estratégicos.
Apesar das alternativas em discussão, o JP Morgan acredita que o desfecho mais provável no curto prazo ainda é o avanço da transação com Porto e Fleury, dada a exclusividade nas negociações.
Fonte: www.seudinheiro.com
