Meta de Rentabilidade Persiste, Apesar do Tempo
O Banco Inter mantém o otimismo em relação à sua meta de atingir um Retorno sobre Patrimônio (ROE) de 30% até 2027, parte do ambicioso plano 60-30-30. Santiago Stel, CFO da instituição, declarou em entrevista exclusiva ao Seu Dinheiro que a confiança na meta é “mais forte do que nunca”. Apesar de o banco ter percorrido cerca de 55% da trajetória de rentabilidade em aproximadamente 60% do prazo estipulado, Stel assegura que o plano está em curso, com a base de clientes e a eficiência operacional apresentando avanços significativos.
Alavancagem Operacional e Profundidade de Uso como Motores de Crescimento
A estratégia central do Inter para impulsionar a rentabilidade reside na “alavancagem operacional”. Stel explica que, após a construção de uma robusta infraestrutura tecnológica, cada novo produto adiciona receita de forma mais expressiva do que o aumento nas despesas. Com cerca de 180 produtos distribuídos em sete avenidas de negócio, o banco busca monetizar cada vez mais sua base de clientes. A disputa no setor financeiro, segundo o CFO, deixou de ser apenas por aquisição de contas e migrou para a “principalidade”, ou seja, qual banco o cliente efetivamente utiliza para suas transações mais rentáveis do dia a dia.
Otimização de Liquidez e Carteira de Crédito Protegida
O Inter possui uma liquidez e funding consideráveis (mais de R$ 70 bilhões) em relação à sua carteira de crédito (próxima de R$ 51 bilhões), indicando um potencial para colocar esses recursos “para trabalhar gradualmente”. Stel ressalta que ainda há espaço para melhorar a margem financeira e otimizar a alocação de capital. Contudo, o banco não pretende acelerar riscos de forma indiscriminada. A carteira de crédito, que cresceu 33% no último ano, possui cerca de 70% de sua composição com garantias ou colaterais, focando em operações como financiamento imobiliário, home equity, FGTS e consignado privado, o que confere maior resiliência em cenários de instabilidade econômica.
Expansão Global Cautelosa e Foco no Mercado Brasileiro
A ambição internacional do Inter, embora presente, é conduzida com cautela. A estratégia se baseia na Global Account e em produtos para brasileiros no exterior, com testes iniciais nos Estados Unidos e planos para a Argentina. No entanto, Stel rechaça a ideia de que o Brasil tenha se tornado pequeno para o banco. “O Brasil continua sendo um país gigante, com retornos muito altos e muito valor ainda para extrair”, afirma. A prioridade é continuar expandindo a participação de mercado no Brasil, ao mesmo tempo em que se constrói gradualmente uma plataforma financeira global, explorando o vasto potencial de produtos ainda subpenetados na base de clientes nacional.
Fonte: www.seudinheiro.com
