Credores pressionam Raízen: Cisão em vista e exigência de aporte bilionário das controladoras Cosan e Shell

Cisão como saída para credores

Uma das propostas em discussão para reestruturar a Raízen (RAIZ4), que se encontra em recuperação extrajudicial, é a cisão da companhia. A ideia seria dividir a empresa em duas: uma focada na produção de açúcar e etanol e outra nas operações de combustíveis. Essa estratégia já havia sido considerada anteriormente pela Cosan e por fundos do BTG, sendo apresentada à Shell. Atualmente, Cosan e Shell detêm 44% do capital da Raízen cada, com os 12% restantes negociados no mercado.

A percepção entre os bancos credores e detentores de títulos de dívida é que a separação dos negócios pode gerar valor para todas as partes envolvidas. Acredita-se que essa segregação facilitaria a busca por soluções para os credores, como a entrada de novos investidores ou transações no mercado de ações.

Aporte de capital em debate

Apesar das negociações em torno da cisão, a possibilidade de um aporte adicional da Cosan no aumento de capital da Raízen ainda não foi descartada. No entanto, fontes próximas à empresa indicam que isso só seria viável com a participação de um terceiro sócio, como havia sido cogitado com o BTG Pactual. A separação dos negócios também poderia reduzir a proporção da dívida a ser convertida em ações, diminuindo a diluição para os acionistas minoritários.

Shell propõe conversão de dívidas em ações

Nas negociações atuais, a Shell tem sugerido a conversão de 40% a 50% das dívidas de bancos e investidores em ações. Essas dívidas incluem títulos como bonds, debêntures e certificados de recebíveis do agronegócio (CRAs). Com um volume de dívidas na casa dos R$ 65 bilhões, o processo de recuperação extrajudicial da Raízen se configura como o maior em andamento no Brasil.

Credores exigem capitalização maior

As controladoras da Raízen estão em um impasse quanto à capitalização da empresa. A Raízen confirmou em março a análise de uma proposta de contribuição de capital de R$ 4 bilhões, sendo R$ 3,5 bilhões da Shell e R$ 500 milhões de um veículo ligado à família de Rubens Ometto, controlador da Cosan. Contudo, os credores, em especial os bancos, insistem em uma injeção de capital mais robusta por parte da Cosan e da Shell, estimando um valor entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões, embora inicialmente tenham chegado a pedir R$ 25 bilhões. Procuradas, Shell, Cosan e Raízen não comentaram o assunto.

Fonte: www.seudinheiro.com

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