Hapvida (HAPV3): Alto Escalão Recebe R$ 57 Milhões, Enquanto Ações Despencam 85% Desde o IPO

Remuneração Milionária em Contraste com Desempenho da Ação

A Hapvida (HAPV3) tem enfrentado um cenário desafiador, com insatisfação tanto de clientes quanto do mercado. Apesar das dificuldades, o alto escalão da empresa parece ter um “calmante” financeiro: uma remuneração expressiva prevista para este ano. Segundo dados da gestora Squadra, que detém quase 7% da companhia, os conselheiros da Hapvida devem receber R$ 57 milhões em 2024. Este valor posiciona a empresa com o terceiro maior pagamento entre as companhias do Ibovespa, igualando o montante destinado à equipe do Itaú (ITUB4).

A cifra representa 20% do lucro estimado da empresa para o ano e pouco mais de 1% do seu valor de mercado. Em comparação, para o Itaú, essa proporção gira em torno de 0,01%. A Squadra destaca que, como proporção do valor de mercado, a remuneração do Conselho de Administração da Hapvida é a mais elevada, com uma margem considerável em relação à segunda colocada, a Minerva.

Histórico de Altos Pagamentos e Críticas à Governança

Nos anos de 2023 e 2024, os pagamentos aos conselheiros somaram R$ 67 milhões e R$ 60 milhões, respectivamente, mantendo a Hapvida entre as empresas que melhor remuneram seus conselhos no principal índice da bolsa brasileira. Além disso, o CEO da companhia, Jorge Pinheiro, membro da família controladora, figura entre os executivos mais bem pagos do país, com uma remuneração de R$ 110 milhões entre 2023 e 2024.

A gestora Squadra expressou preocupação com esses valores “portentosos” em uma carta que solicita mudanças no conselho da operadora. O conselho foi reeleito mesmo após o que a gestora descreve como “uma das maiores destruições de valor da história”, com as ações da Hapvida acumulando uma queda de 85% desde o IPO em abril de 2018.

Modelo de Remuneração Incompatível com Boas Práticas

A Squadra aponta que o modelo de remuneração do conselho da Hapvida é incompatível com as melhores práticas de governança. O sistema é variável e atrelado a métricas centrais na remuneração da Diretoria Executiva, o que, segundo a gestora, compromete a independência do órgão. O Código de Melhores Práticas do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) recomenda que a remuneração dos conselheiros seja predominantemente fixa e estruturada de forma distinta da diretoria, dada a natureza de suas funções.

Entre 2023 e 2024, apesar da desvalorização acentuada para os acionistas, o bônus do conselho da Hapvida chegou a 94% do total previsto caso as metas fossem atingidas. A gestora conclui que as propostas de remuneração revelam um Conselho de Administração em desacordo com a situação financeira atual da companhia e com seu desempenho recente.

Problemas Operacionais e Financeiros da Hapvida

A Hapvida tem enfrentado resultados fracos na bolsa de valores. No quarto trimestre de 2023, a empresa reportou números considerados desastrosos, ainda piores que nos três meses anteriores, quando as ações já haviam caído mais de 40% após a divulgação do balanço. Um dos principais pontos negativos foi a perda de 140 mil beneficiários no trimestre. Essa evasão, apesar de vendas brutas superiores a 600 mil vidas, com cancelamentos ultrapassando 700 mil, sugere um desequilíbrio entre aquisição e retenção de clientes, indicando insatisfação com os serviços, conforme admitido pelo próprio CEO na linha de sucessão, Luccas Adib.

Adicionalmente, a Hapvida lida com desafios antigos que impactam seu balanço há trimestres, como o aumento na sinistralidade e a ausência de sinais claros de sinergia com a aquisição da NotreDame Intermédica.

Fonte: www.seudinheiro.com

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