Mercados Globais em Alerta
A terça-feira (12) foi marcada por um clima de cautela nos mercados globais, impulsionado pela persistência da inflação, a alta do petróleo e o agravamento das tensões geopolíticas. No Brasil, essa atmosfera se refletiu no Ibovespa, que fechou em queda, e na manutenção do dólar próximo à marca de R$ 4,89.
O principal índice da bolsa brasileira encerrou o pregão com uma desvalorização de 0,86%, atingindo 180.342,33 pontos, acumulando a segunda sessão consecutiva de perdas. O dólar à vista, por sua vez, apresentou leve alta de 0,08%, fechando em R$ 4,8954.
Petrobras e o Balanço que Decepcionou
Apesar da disparada do petróleo no cenário internacional, as ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) registraram quedas de 1,20% e 1,46%, respectivamente. Os resultados do primeiro trimestre de 2026 foram considerados abaixo das expectativas pelo mercado, impactados, segundo análise do Bradesco BBI, por um descompasso na precificação das exportações de petróleo e nos estoques em trânsito.
Geopolítica e o Preço do Petróleo
O impasse nas negociações no Oriente Médio voltou a ser um fator de pressão, impulsionando os preços do petróleo. Declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que classificou o cessar-fogo com o Irã como “incrivelmente frágil” e a contraproposta de Teerã como “lixo”, reduziram as expectativas de uma reabertura rápida do Estreito de Ormuz. Essa rota estratégica para o transporte global de petróleo manteve elevado o prêmio de risco embutido nas commodities. Como resultado, o Brent subiu 3,41%, chegando a US$ 107,77 por barril, e o WTI avançou 4,19%, negociado a US$ 102,18.
Inflação Doméstica em Foco
No cenário doméstico, os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril trouxeram um alívio parcial. A inflação oficial do Brasil desacelerou para 0,67% em abril, ante 0,88% em março, vindo em linha com as expectativas. Contudo, o acumulado em 12 meses acelerou de 4,14% para 4,39%, aproximando-se do teto da meta do Banco Central.
Claudia Moreno, economista do C6 Bank, avalia que medidas governamentais como subsídios e redução de impostos podem mitigar a pressão inflacionária no curto prazo. No entanto, ela alerta que combustíveis e alimentos já sentem os efeitos do conflito no Oriente Médio, e a perspectiva de desvalorização do real, somada a um mercado de trabalho aquecido, pode levar a uma nova aceleração dos preços no segundo semestre. O C6 projeta o IPCA em 4,8% para 2026, acima do intervalo de tolerância da meta.
Dólar e o Impacto das Tensões Globais
O mercado de câmbio acompanhou de perto o noticiário internacional, com destaque para as relações EUA-Irã e os dados de inflação. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a moedas fortes, avançava 0,34%. A possibilidade do Irã enriquecer urânio a 90% em caso de ataque e a expansão da definição de área operacional no Estreito de Ormuz adicionaram mais incertezas ao cenário global.
Wall Street e a Inflação nos EUA
Nos Estados Unidos, a alta do petróleo, a queda das ações de tecnologia e a cautela com a inflação limitaram o apetite por risco em Wall Street. O índice de preços ao consumidor (CPI) de abril subiu 0,6%, acima do esperado, com a inflação anualizada acelerando para 3,8%. Esses números reforçam a expectativa de que o Federal Reserve (Fed) mantenha os juros elevados por mais tempo, com o mercado precificando uma probabilidade de 97,6% para a manutenção da taxa na próxima reunião em junho.
Bolsas Europeias em Queda e Ásia Mista
Na Europa, os principais índices fecharam em forte queda devido ao aumento das tensões geopolíticas e à crise política no Reino Unido. O índice pan-europeu STOXX Europe 600 recuou 1,01%. Na Ásia, o fechamento foi misto, com o Nikkei 225 avançando 0,52% e o Hang Seng Index caindo 0,22%.
Fonte: www.seudinheiro.com
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