Investidores Brasileiros Reduzem Exposição à Renda Fixa e Aumentam Aposta em Ações, Ignorando Riscos Geopolíticos e Guerra

Apetite por Risco Cresce em Meio à Instabilidade Global

Apesar da eclosão da guerra no Oriente Médio e da volatilidade gerada, o investidor brasileiro demonstra um apetite por risco que permanece estável. Um levantamento recente da XP, realizado em março, indica que a alocação em ações, embora com uma dispersão maior, tem ganhado espaço. A proporção de clientes que destinavam entre 10% e 25% de suas carteiras para ações diminuiu ligeiramente, mas os recursos foram realocados. A faixa de 0% a 10% em ações registrou um aumento, passando de 38% para 43%, e o percentual de 25% a 50% subiu de 9% para 15%.

O relatório da XP, que consultou 208 assessores, também aponta que a intenção de reduzir a alocação em ações se manteve em 9%, enquanto 32% planejam aumentá-la. A maioria dos respondentes, 59%, pretende manter sua exposição em ações inalterada. Esses dados são corroborados pelos fluxos líquidos positivos de R$ 0,9 bilhão registrados em março no segmento de pessoa física na Bolsa brasileira.

Renda Fixa Perde o Brilho e Fundos de Renda Fixa Caem no Ranking

A hegemonia da renda fixa no portfólio dos brasileiros parece estar sob ameaça. O interesse por ativos do Tesouro Direto e Renda Fixa sofreu uma queda acentuada em março, recuando 15 pontos percentuais e atingindo 60%. Os fundos de renda fixa também sentiram o impacto, com o interesse caindo para 40%, perdendo a segunda posição no ranking de ativos. Curiosamente, os fundos de renda fixa agora registram o mesmo patamar de interesse que as ações, ambos em 40%.

Outro ponto de atenção é a diminuição do interesse por investimentos internacionais, que caiu de 39% para 25% em março. Nesse segmento, os ETFs (Exchange Traded Funds) se destacam como a principal escolha de alocação, com 62% de preferência.

Ibovespa em Vista e Setores Defensivos em Alta

Embora a alocação em ações tenha se mostrado resiliente, o sentimento dos assessores em relação à Bolsa deteriorou levemente em março, caindo de 7,2 para 6,7. A guerra no Oriente Médio e a pressão nos preços do petróleo ajustaram as expectativas para o Ibovespa, que agora tem uma projeção de 188 mil pontos para o final de 2026, um potencial de alta modesto de 3%. A maior parte dos assessores (31%) espera que o índice feche 2026 entre 190 mil e 200 mil pontos.

Setorialmente, os investidores demonstram cautela ao optar por ações defensivas. O setor Financeiro continua sendo o preferido (70%), seguido por Elétricas e Saneamento (50%). No entanto, o segmento de Petróleo & Gás chamou a atenção com um salto de interesse de 50% em fevereiro para 66% em março, impulsionado pela valorização da commodity.

Riscos Geopolíticos Ganham Força no Radar do Investidor

A pesquisa da XP evidencia uma reconfiguração no mapa de riscos dos investidores. Embora os riscos fiscais domésticos ainda liderem as preocupações (30%), o cenário externo ganhou força. As preocupações com eventos geopolíticos dispararam de 10% para 26%, empatando tecnicamente com a instabilidade política local como os maiores temores. O receio em relação a juros mais altos também emergiu, saindo de 2% para 10%.

Para que o mercado volte a ganhar tração sólida, os investidores não esperam apenas cortes de juros. Um novo catalisador ganhou força: a retomada de performances sólidas e com menor volatilidade, fator essencial para destravar o apetite por risco nos próximos meses, segundo 20% dos respondentes. Ainda assim, o corte de juros (40%) e a mudança na política econômica (29%) continuam sendo os principais impulsionadores esperados pelo mercado.

Fonte: www.seudinheiro.com

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