Super Quarta: Fim da surpresa e o que esperar do Copom em junho com cenário binário e riscos fiscais

A ‘Super Quarta’ e a perda de surpresas

O termo “Super Quarta”, que designa os dias de reunião dos Comitês de Política Monetária (Copom) do Brasil e do Federal Reserve (Fed) dos EUA, parece perder seu brilho. Rodolfo Amstalden, Sócio-fundador e CEO da Empiricus, argumenta que a perda de autonomia dos Bancos Centrais, seja por medidas populistas, alta dívida pública ou choques de oferta (como o petróleo), limita o espaço para decisões surpreendentes. Em um cenário ideal, a política monetária deve ser previsível, mas isso pode levar a encontros menos empolgantes.

Corte de 25 bps: um roteiro esperado

No contexto brasileiro, a expectativa para a reunião do Copom é de um corte protocolar de 0,25 ponto percentual (25 bps) na taxa Selic. Essa decisão já está amplamente precificada pelo mercado, com mais de 95% das projeções apontando para essa magnitude. Portanto, o encontro desta quarta-feira tende a ser mais uma confirmação do que uma surpresa.

Junho: um novo horizonte de incertezas

Apesar da previsibilidade do encontro atual, a janela de 45 dias até a próxima reunião do Copom, em junho, apresenta um cenário mais complexo e volátil. Fatores como a escalada da tensão no Oriente Médio (Guerra do Irã), a possibilidade de Kevin Warsh liderar o Fed e a intensificação da corrida eleitoral brasileira, com potencial impacto no câmbio, criam um ambiente de incerteza. Essas influências macroeconômicas sugerem que o segundo semestre de 2026 pode ser significativamente diferente do primeiro.

Riscos fiscais e o jogo eleitoral

Amstalden aponta que, embora o corte de 0,25 bps em junho possa ser ditado pela inércia, o Copom terá todas as opções à mesa. As leituras de inflação podem continuar a subir devido à guerra, mas as expectativas de longo prazo (2027 e 2028) tendem a se estabilizar com a normalização dos preços de petróleo e fertilizantes. Um ponto crucial é o risco fiscal. Paradoxalmente, um pacote eleitoreiro de medidas populistas pode ser mitigado caso a disputa presidencial permaneça acirrada. Se o governo atual estiver perdendo terreno, o incentivo para medidas populistas aumenta. Por outro lado, um placar apertado pode desencorajar o governo a tomar medidas drásticas, pois ele teria que lidar com as consequências já no início de um eventual novo mandato.

Em suma, as decisões de política monetária atuais são tomadas com um olhar para o futuro, especialmente quando esse futuro aponta para mudanças significativas no cenário econômico e político.

Fonte: www.seudinheiro.com

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