O Novo Cenário Global de Defesa
Apesar da recente pausa nas tensões entre os Estados Unidos e o Irã, o setor de defesa está longe de perder força. O BTG Pactual aponta para o nascimento de um novo superciclo global de investimentos em segurança e defesa, com projeções de gastos atingindo US$ 2,6 trilhões até 2025. Este fenômeno não é passageiro, mas sim impulsionado por forças estruturais duradouras, como a intensificação de conflitos regionais, programas de rearmamento e uma redefinição das prioridades fiscais governamentais.
Gastos Militares: Um Potencial de Expansão Subestimado
Embora os gastos militares globais em 2025 representem um recorde nominal, eles ainda correspondem a apenas 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, um patamar inferior à média histórica de 3,4% entre 1960 e 2024. Nos Estados Unidos, maior investidor do setor, os gastos equivalem a 3,2% do PIB, também abaixo da média histórica americana de 5,3%. O BTG projeta que um aumento de apenas 1 ponto percentual no PIB global dedicado à defesa adicionaria US$ 620 bilhões anuais, um cenário que ainda manteria os investimentos em linha com a média pós-Guerra Fria.
Europa: O Despertar para a Defesa
A Europa surge como um novo motor de crescimento no setor. A invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 catalisou uma fase de recomposição militar no continente. A Alemanha, com um orçamento de defesa previsto em €82,7 bilhões para 2026 e um fundo especial de €100 bilhões para reequipamento, lidera esse movimento. O BTG acredita que os EUA manterão sua liderança, enquanto a Europa, impulsionada pela Alemanha, ampliará gradualmente sua participação nos gastos militares globais. Países da OTAN, com exceção da Polônia, ainda gastam abaixo da meta de 3,5% do PIB em defesa, indicando um potencial significativo de expansão.
O Setor em Números e a Preferência por Hardware
Os números do setor reforçam o otimismo: a receita líquida das empresas de segurança e defesa somou US$ 922 bilhões em 2024, com projeção de crescimento anual de 9,3% até 2027. O indicador book-to-bill, que mede a relação entre novos pedidos e faturamento, tem se mantido consistentemente acima de 1,0x, sinalizando uma carteira de pedidos em expansão. O BTG recomenda cautela em relação a empresas de software, preferindo aquelas focadas em hardware (aviões, navios, mísseis), devido à aceleração do ciclo de investimentos e aos riscos de disrupção pela inteligência artificial.
Como Investir e os Riscos a Considerar
Para investidores brasileiros, o BTG sugere o ETF iShares U.S. Aerospace & Defense ETF (código ITA), negociado nos EUA e disponível na B3 como BDR (código BAER39). O fundo, que acumula alta de cerca de 88% em 2024, replica as principais empresas do setor aeroespacial e de defesa americano. No entanto, os riscos incluem a dependência do ciclo geopolítico, a vulnerabilidade à China no fornecimento de terras raras e o elevado endividamento público global, que pode pressionar por disciplina fiscal. Apesar disso, a transição global para cadeias de suprimentos mais seguras e resiliência industrial favorece o setor de defesa a longo prazo.
Fonte: www.seudinheiro.com
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